Mais de 50 mil famílias de BH não têm moradia e 40 mil têm sobrecarga com aluguel, diz pesquisa

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Mais de 50 mil famílias de BH não têm moradia — Foto: Cecilia Perdezoli/TJMG/Divulgação

Há cinco meses, Marcus Vinícius Barbosa Reis, de 39 anos, havia mudado de endereço. Levou uma muda de roupa, um cobertor e um papelão para um prédio vazio na Rua Guaicurus, no centro de Belo Horizonte.

“A gente comprou um cadeado, corrente. Cada um tinha sua chave. Era uma segurança, um teto”, disse o vendedor de água e bala que dividia o espaço com outras doze pessoas até esta terça-feira (24) quando foram despejados pela prefeitura.

Elas saíram depois que um acordo determinou o pagamento, por parte do município, de um auxílio de R$500 em seis meses para ajudar no aluguel ou contribuir para as despesas de quem optar por ficar em casa de parentes ou amigos.

“E depois? Pra onde a gente vai?”, perguntou Marcus que vive nas ruas desde os 14 anos.
Prédio ocupado no bairro Castelo pegou fogo no início do mês — Foto: Elton Lopes/TV Globo

Este foi o segundo despejo feito pela prefeitura em três dias. No último sábado (21), dezenas de pessoas que faziam parte da Ocupação Carlos Marighella, na Região do Barreiro, foram retiradas pela prefeitura. No dia 4, um prédio ocupado por 26 pessoas na Região da Pampulha pegou fogo.

De acordo com pesquisa feita pelo Grupo de Trabalho sobre Direito à Moradia da Câmara Municipal, 50 mil famílias não têm casa em Belo Horizonte. Outras 41 mil gastam mais de um terço do salário com aluguel e 822 vivem em habitação precária. Ainda segundo o estudo, há 64 mil moradias vazias na cidade.

Famílias da ocupação Carlos Marighella protestam contra despejo — Foto: Duda Salabert/Divulgação

O prefeito reeleito, Alexandre Kalil, fez propostas que pretendem melhorar a vida dessas pessoas. De acordo com o plano de governo para os próximos quatro anos, o objetivo é “possibilitar a melhoria da condição de vida dos moradores, com a implementação de serviços básicos nas regiões de ocupação e a sua urbanização”.

Para diminuir o déficit habitacional, o prefeito vai utilizar o convênio urbanístico de interesse social, previsto no Plano Diretor aprovado em 2019, “para destinação de terrenos públicos de pequeno porte à produção de habitação de interesse social, em parceria com pequenas e médias empresas de construção civil”.

Sobre o despejo das doze pessoas que ocupavam o prédio na Rua Guaicurus, a prefeitura disse em nota que o local foi cedido pelo Governo Federal ao município e que lá será instalada a nova sede do Centro de Saúde Carlos Chagas.

“Depois de 25 anos eu tive um teto. Vamos ver como vai ser agora”, disse Marcus Vinícius.

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