Margarida Salomão é a primeira mulher eleita para governar Juiz de Fora

0

A deputada federal e professora universitária Margarida Salomão (PT) foi eleita a primeira prefeita da história de Juiz de Fora neste domingo (29). Ela recebeu 144.529 votos, o que representa 54,98% dos votos válidos neste segundo turno. O adversário dela, o empresário Wilson Rezato (PSB), teve 118.349 votos, o equivalente a 45,02% do total. 

Os votos nulos somaram 19.972, que correspondem a representaram 6,87%. Outros 7.992 eleitores votaram em branco, representando 2,74% do total.

Esta foi a quarta vez que Margarida Salomão se candidatou à Prefeitura de Juiz de Fora e a primeira disputa municipal que ela venceu. Ela concorreu ao cargo em todas as eleições municipais desde 2008. Até este domingo, o resultado tinha sido sempre o mesmo: derrota no segundo turno.

Esta também será a primeira vez que o PT governará a quarta cidade mais populosa de Minas Gerais. Após a divulgação do resultado, Margarida Salomão deu uma coletiva de imprensa e disse que recebeu com muita alegria e gratidão a decisão dos juiz-foranos. 

“Uma gratidão imensa a essa cidade que teve a coragem de fazer essa ruptura de eleger pela primeira vez na sua história uma mulher para prefeita e também dar essa oportunidade ao Partido dos Trabalhadores que sempre foi muito bem votado em Juiz de Fora nas eleições nacionais, mas que nunca tinha tido a oportunidade de governar a cidade”, disse.

Margarida foi reitora da Universidade Federal de Juiz de Fora entre 1998 e 2006, onde também foi professora. Doutora em linguística, a prefeita eleita de Juiz de Fora é deputada federal desde 2013.

Em seu discurso, ela repetiu o que já vinha dizendo durante a campanha: o objetivo de sua gestão será promover um desenvolvimento de Juiz de Fora que tenha como foco o direito das pessoas à cidade. “Em todos os níveis: na saúde, no transporte, na educação, na creche. Trata-se do direito à cidade, que nós hoje com a delegação do povo, vamos fazer valer”, disse.

Margarida Salomão destacou também que foi eleita para governar para todos os juiz-foranos e não apenas para aqueles que votaram nela. “Nós vamos conversar com todo mundo. Nós temos um canal aberto com todas as pessoas, com todos os agentes políticos, inclusive com o Wilson, que acaba de participar do segundo turno pelo PSB, que nos antagonizou nesse momento. Nós vamos conversar com todo mundo porque o bem de Juiz de Fora está acima de qualquer disputa menor”, declarou a prefeita eleita.

O candidato derrotado, Wilson Rezato (PSB), optou por não falar com a imprensa neste domingo (29). Ele marcou uma coletiva de imprensa para às 11 horas de segunda-feira (30). Até o fechamento desta reportagem ele não havia se manifestado sobre o resultado em suas redes sociais.

Juiz de Fora é administrada desde 2008 pelo PSDB ou pelo MDB. Nenhum dos dois partidos lançou candidato majoritário nestas eleições. O atual prefeito, Antônio Almas (PSDB), decidiu não concorrer novamente por questões pessoais. Ele foi eleito vice-prefeito em 2016 na chapa de Bruno Siqueira (MDB), mas assumiu o comando a prefeitura em 2018 depois que Siqueira renunciou ao cargo de prefeito para disputar a eleição para deputado estadual.

Sem candidato próprio, o PDSB decidiu apoiar a candidata Ione Barbosa (Republicanos), que terminou em terceiro lugar. Já o MDB optou por compor a chapa da deputada estadual Sheila Olivera (PSL), que ficou em quarto lugar.

Equipe de transição e secretariado terão 50% de mulheres

Passado o resultado, Margarida Salomão disse que o foco agora é a transição de governo, que deverá ser iniciada a partir dessa segunda-feira (30). A equipe será formada por três homens e três mulheres.

“Começamos a trabalhar amanhã. Eu vou falar com o prefeito Almas. que já teve a gentileza de se manifestar, para estabelecermos a partir de amanhã a transição”, disse.

Segundo a prefeita eleita, ela espera anunciar a equipe de secretários já na próxima semana. A ideia é que 50% dos cargos de primeiro escalão sejam ocupados por mulheres. Além disso, outro critério é que os postos sejam ocupados também por pessoas negras.

“Eu espero que na semana que vem eu já tenha a oportunidade de anunciar nosso secretariado nos termos em que eu me comprometi. Um secretariado paritário, metade mulheres e metade homens, e com a representação de homens e mulheres negras para que a gente tenha um governo que represente a população de Juiz de Fora”, disse Margarida Salomão.

Por fim, ela disse ainda que, a partir dos dados disponibilizados pela atual gestão da prefeitura, irá identificar as prioridades e começar a agir para cumprir a promessa de que fará um governo com mais participação popular, com o planejamento sendo feito em conjunto com cada região da cidade.

Deixe um Comentário

Deixe um comentário
Digite seu nome aqui