Prefeitura faz nova vistoria em prédio e demolição pode iniciar em 24 horas

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Por causa do tombamento do prédio, 15 famílias vizinhas ao edifício tiveram que ser retiradas de suas casas, como medida de segurança

Um dia depois de a Justiça de Minas Gerais ter autorizado que a Prefeitura de Betim, na região metropolitana, realize a demolição parcial e imediata do edifício de cinco andares que tombou, no bairro Ponte Alta, no último dia 17, técnicos do município voltaram até o local, na manhã desta terça-feira (24), para avaliar as condições do edifício. Segundo a prefeitura, um laudo conclusivo analisando os riscos da edificação será apresentado em até 24 horas. Após isso, a empresa contratada pelo município para derrubar parte do prédio poderá iniciar a demolição.

“A regras de engenharia permitem que os especialistas façam uma análise externa para fazer essa avaliação, não sendo necessário entrar no prédio. Também estamos utilizando um drone para complementar as informações até se chegar a um laudo conclusivo que vai informar se, realmente, é necessária a demolição do prédio. Mas, visualmente, conseguimos perceber que, não apenas o edifício, mas as casas que estão no entorno, correm risco, o que nos faz acreditar que o laudo apontará para a real necessidade de demolição do edifício”, salientou o secretário de Habitação de Betim, Marco Túlio Freitas.

Já de acordo com o coronel Walfrido de Assis Lopes, da Defesa Civil de Betim, a previsão é que todo o processo de derrubada do edifício ocorra em 48 horas, sendo que, nas primeiras 24 horas, o risco de colapso do imóvel será eliminado. Com isso, a prefeitura evitará que haja qualquer risco para a comunidade, embora as 15 famílias que vivem no entorno já tenham sido retiradas de suas casas.

“Para começar a demolição, estamos aguardando o laudo da vistoria que está sendo feito hoje. A técnica que vamos utilizar para realizar a derrubada é a mecânica. Vamos usar uma máquina com um braço de 22 metros de alcance e com uma espécie de tesoura em suas extremidades, que irá triturar o material, de forma que a derrubada ocorra de cima para baixo”, explicou Lopes.

Inércia 

Apesar de outro relatório da Defesa Civil de Betim apontar que o edifício pode desabar a qualquer momento e de a própria Justiça ter confirmado que o tombamento causou prejuízos irreparáveis aos “bens da vida, segurança, saúde e integridade física dos moradores que foram retirados do perímetro do prédio”, a construtora Abrahin Hamza Construções, responsável pela obra, chegou a solicitar na Justiça, no fim de semana, a suspensão da demolição.

No pedido, que foi negado pelo juiz Leonardo Bolina, a empresa alegou que a ação somente poderia ser realizada após uma perícia judicial para descobrir as razões que levaram ao tombamento do prédio.

Na última segunda-feira (23), a reportagem falou com a advogada da empresa, que apenas se identificou como Kátia. Ela somente informou que a construtora fez a solicitação de uma perícia judicial para resguardar as famílias que moraram no entorno e para saber como deve ser feita a demolição correta do edifício. A advogada não deu mais detalhes sobre o caso. 

Mas, antes do pedido de suspensão da demolição por parte da construtora, o mesmo juiz Taunier Lima, atendendo a uma ação que a prefeitura ingressou na justiça, já havia determinado, na sexta (20), que a construtora fizesse a demolição do prédio em 24 horas, e realizasse a assistência das famílias que precisaram deixar as suas casas, custeando alimentação, hospedagem e assistência de saúde a todas. 

No entendimento do magistrado, proferido, nesta segunda-feira (23), a empresa já estava ciente do ocorrido e teria que já ter tomado providências, pois havia solicitado judicialmente a vistoria. “Diante desse contexto é incontroverso que o requerido tem ciência desta ação, inclusive, por advogados constituídos”, afirmou o juiz na ação. 

Desde o tombamento, a prefeitura também montou um ponto de comando no local com a presença de guardas municipais e técnicos da Defesa Civil para garantir o isolamento da área e a segurança dos imóveis e moradores.

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