Jornalista da Jovem Pan critica colega que fez comentário antissemita

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A jornalista Amanda Klein, da Jovem Pan, disse, em entrevista ao podcast “E eu com isso?”, do Instituto Brasil-Israel, que o sentimento antissemita é enraizado nos grupos de extrema-direita. Klein é comentarista política na emissora Jovem Pan e na Rede TV!.

O comentário de Klein foi em relação à fala do comentarista Carlos Bernardi, que relacionou, ao vivo na Jovem Pan, o sucesso econômico da Alemanha do século XXI com a morte sistemática de judeus. Bernardi foi desligado do canal após o episódio. Disse o comentarista:

“É só assaltar todos os judeus que a gente consegue chegar lá. Se a gente matar um monte de judeus e se apropriar do poder econômico dos judeus, o Brasil enriquece. Foi o que aconteceu com a Alemanha pós-guerra”, disse o comentarista no dia 16 de novembro.

Com ascendência judaica — é bisneta de um homem judeu — Klein disse que a fala de seu ex-colega de trabalho não foi uma construção do calor do momento. “Ela é parte de uma construção muito mais enraizada, incrustada nesses grupos de extrema-direita”, analisou.

A jornalista disse a Anita Efraim e Ana Clara Buchmann, apresentadoras do podcast, que a tentativa de Bernardi de negar as raízes preconceituosas do Holocausto é reduzir o nazismo e a motivação “anti-humana” da ideologia.

“Tentar expurgar esse processo de todas as razões que existiam na época e traduzir a um mero processo econômico é você negar o Holocausto e a motivação sórdida e anti-humana. É uma forma de normalizar o genocídio de 6 milhões de judeus, 1 milhão e meio de crianças”, criticou Klein no episódio que foi ao ar na tarde desta quarta-feira (24/11).

No momento em que Bernardi disse a fala antissemita, Klein também estava ao vivo no programa, mas a internet de seu computador travou e ela não ouviu o comentário todo. Após receber diversas mensagens de pessoas próximas, entendeu a gravidade da fala e comentou que a repulsa por manifestações antissemitas precisam ser mostradas “com toda força”.

“​​Evangélicos, bolsonaristas, muitas vezes com signos de supremacia branca como o copo de leite. Na Europa isso fica mais transparente, no Brasil meio adormecido, implícito, aí quando surge damos um passo para trás e tomamos um susto. Precisa mostrar repulsa com toda força, porque isso tem que ser cortado pela raiz”, propôs.

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