Variante delta do Covid-19 é detectada em 100% das análises realizadas em Minas Gerais

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Minas Gerais registrou 1.119 casos confirmados da variante delta — Foto: Getty Images via BBC

Via Minas Gerais 

Todas as amostras de coronavírus que passaram por estudo genômico em Minas Gerais nas últimas semanas eram da variante delta. Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), entre 3 e 30 de outubro, 22 análises foram realizadas, e em 100% delas a cepa foi identificada.

Nos períodos anteriores, entre agosto e setembro, nas amostras sequenciadas foi detectada também a variante gama, a predominante em Belo Horizonte nos primeiros sete meses deste ano.

O primeiro caso da delta em Minas Gerais foi registrado em 27 de maio, em Juiz de Fora, na Zona da Mata. No dia 17 de agosto, o estado confirmou a existência de transmissão comunitária da cepa. Poucos dias depois, a variante já era predominante nas amostras de coronavírus analisadas.

A delta é considerada mais contagiosa – um documento divulgado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) apontou que a variante é tão transmissível quanto a catapora.

“O avanço era esperado. Não achamos quase nenhuma outra (variante) mais. Agora é monitorar a evolução da delta, pois algumas alterações nela podem ser adquiridas”, diz o professor e coordenador do Laboratório de Biologia Integrativa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Renan Pedra.

Além disso, um estudo realizado a partir do sequenciamento genético de amostras de 43 mil britânicos com Covid-19 mostrou que pacientes infectados com a delta têm o dobro de chance de serem hospitalizados do que os contaminados pela variante alfa do coronavírus.

Em Minas Gerais, no entanto, a entrada da variante delta não causou impactos na demanda hospitalar. Nos últimos meses, o estado tem registrado queda no número de casos de Covid-19 e mortes em decorrência da doença.

Segundo Renan Pedra, além do avanço da vacinação, o histórico da variante gama em Minas Gerais e a manutenção do uso de máscaras contribuíram para a delta não causar novas ondas de Covid-19 no estado.

“No Brasil, a gente vinha de um histórico de gama muito forte e fez a virada para a delta. O histórico que a gente estava observando, que era reportado até o momento, era o da América do Norte, que vinha de uma grande quantidade de infecções pela alfa, e aí a delta entrou. A gente ainda não sabe muito bem o porquê, mas tem hipóteses muito fortes de que o fato de termos tido a gama em vez da alfa anteriormente reduziu os impactos negativos da entrada da delta”, explica o professor.

Redução de análises genômicas

Desde o início da pandemia, 5.049 amostras do coronavírus foram genotipadas em Minas Gerais, das quais 1.119 foram identificadas como delta, em 183 municípios. A cidade com mais casos detectados da variante é Belo Horizonte.

Segundo a SES-MG, os infectados pela delta no estado têm entre 1 mês e 95 anos de idade. A maioria dos contaminados é mulher (54,9%). Dos 1.119 caos confirmados, nove evoluíram para óbito.

Nas últimas semanas, no entanto, o número de amostras genotipadas vem caindo no estado. Na semana epidemiológica 43, entre os dias 24 e 30 de outubro, a última com dados atualizados pela SES-MG, apenas uma foi analisada. Para se ter uma ideia, na semana 38, entre os dias 19 e 25 de setembro, 228 amostras foram sequenciadas.

De acordo com a SES-MG, a redução das análises genômicas se deve ao avanço da imunização em Minas, onde 57,2% da população total está com o esquema vacinal completo.

“O atual cenário epidemiológico da Covid-19 no estado tem registrado a queda do número de casos novos confirmados diariamente, isso resulta também na diminuição das amostras enviadas para a realização da testagem”, disse a pasta, em nota.

monitoramento de variantes é realizado por meio do Observatório de Vigilância Genômica de Minas Gerais (OViGen-MG), composto por membros da Fundação Ezequiel Dias (Funed), do Laboratório de Biologia Integrativa da UFMG, do Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico da UFMG, do setor de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) do Grupo Pardini e da própria SES-MG.

“Além da redução de casos, nem toda amostra é capaz de ter a linhagem analisada, pois precisamos ter uma carga viral de média a alta na amostra. Com a vacinação, essas amostras tem sido raras”, explica o professor Renan Pedra.

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