Discussão de famosos sobre saúde mental mostra lado obscuro das redes

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A discussão sobre saúde mental no Brasil está deixando de ser um tabu para virar realidade. Entre os transtornos mais conhecidos, cerca de 16 milhões de brasileiros que sofrem de depressão, segundo dados da última Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do IBGE. Já a ansiedade é responsável por colocar o país na primeira colocação do ranking da Organização Mundial de Saúde (OMS) das nações mais ansiosas do mundo.

Com isso, o debate sobre transtornos psicológicos começa a deixar as clinícas e ganha um espaço bem mais popular: as redes sociais.

No início deste ano, Felipe Neto usou as redes sociais para fazer um longe desabafo sobre o assunto. Assim como outros influencers, ele falou sobre o assunto diretamente para os mais de 43 milhões de seguidores nas plataformas digitais, revelando problemas pessoais e encorajando as pessoas a procurar ajudar sempre que for necessário.

Contudo, especialistas alertam que essa superexposição nas redes sociais pode ser um inimigo da saúde mental, seja de influenciadores ou de pessoas anônimas. “O influencer sente-se na obrigação de dar satisfação de tudo relacionado à sua vida. Contudo, não é indicado expor situações vinculadas ao sofrimento emocional, porque a reação do público/haters pode piorar extremamente o quadro clínico”, explica a psicóloga Lidiane Silva.

O risco de redes sociais em excesso

Segundo estudo divulgado em parceria entre a Hootsuite e a We Are Social no início de 2021, mais de 150 milhões de brasileiros gastam em média 3h42min de seus dias na redes sociais, um lugar onde os filtros são capazes de esconder a realidade.

Além de trazer à tona a discussão sobre os efeitos negativos de críticas e comentários maldosos na internet, o debate levantado por Felipe Neto, assim como outros famosos que já vieram a público falar sobre a relação entre saúde mental e a internet, reforça um lado obscuro das redes sociais que vem sendo analisado por alguns especialistas.

Em conversa com o Metrópoles, eles alertam que a realidade mostrada nas redes sociais, seja por pessoas famosas ou não, pode acabar frustrando quem consome esse tipo de conteúdo e acaba idealizando a vida do outro para si. “Nas redes sociais todo mundo quer mostrar a sua melhor versão, somente o lado positivo”, afirma a psicóloga Roberta França.

E embarcar nesse mundo perfeito, acreditando que a vida virtual é a mesma que a real, pode ser um erro capaz de desestabilizar a saúde mental dos usuários de redes sociais.

Em um mundo cada vez mais conectado, onde não estar presente nas redes sociais chega a ser tão estranho quanto não ter carteira de identidade, Roberta afirma que é preciso se desligar um pouco e olhar para si. “Cada vez mais é importante tentarmos nos distanciar das redes sociais para olhar, de fora, a nossa vida, a nossa existência, expectativas e sonhos. E não achar que a vida on-line é a que todos têm de verdade. Quando achamos que a vida das redes sociais é a real, nós nos frustramos com a nossa realidade”, explica a psicóloga.

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