Novo decreto. Veja o que pode e o que não pode funcionar no DF

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O novo decreto divulgado no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) na noite dessa quarta-feira (12/1) estabeleceu a proibição de que eventos, shows e festivais sejam realizados na capital. Este foi o primeiro recuo feito pelo GDF após o aumento de casos de Covid na cidade e a série de liberações que ocorreram ao longo de 2021.

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Conforme detalha a redação da nova diretriz, está suspensa “a realização de eventos, shows, festivais e afins, com a venda de ingressos ou cobrança de qualquer valor a título de contribuição dos convidados, ainda que o valor seja revertido em consumação”.

Não há data prevista para a nova medida expirar.

O funcionamento de bares e restaurantes, no entanto, ainda está liberado sem maiores restrições. Academias, igrejas e shoppings também não foram afetados.

Leia o decreto na íntegra

Dodf 003 12-01-2022 Edicao Extra A by Metropoles on Scribd

Prejuízos para programações

Lili Santana, que organizava a tradicional Festa da Lili para este final de semana, foi pega de surpresa pelo decreto e lamenta que terá de cancelar o evento em cima da hora.

“Estamos muito tristes por não poder realizar o nosso evento. Estávamos ansiosas pela oportunidade de voltar com os artistas e gerar emprego no Distrito Federal. Essas pessoas precisam trabalhar para apoiar suas famílias”, diz.

Ela conta que toda a logística já estava preparada, inclusive com testes sendo realizados na entrada. “Tínhamos estabelecido que somente clientes com o ciclo vacinal completo poderiam acessar o evento, e teríamos na entrada um laboratório para fazer exames tanto de Covid como Influenza”.

Ao receber a notícia, ela ordenou que a estrutura fosse desmontada e devolverá o dinheiro dos ingressos.

O proprietário do gastrobar Mezanino, na Torre de TV, e sócio da produtora Oh! Artes, João Felipe Maione lamenta o que chama de decisão “equivocada”.

“O decreto é completamente preconceituoso contra o setor de eventos e demonstra completo despreparo no trato com a pandemia, visto que diversas capitais, não proibiram evento, mas sim, impuseram restrições, respeitando a, ainda lenta, retomada deste setor”, reclama.

Ele destaca que a decisão foi tomada sem que houvesse diálogo. “O governo sequer nos procurou para para conversarmos, tentar chegar num senso comum. Igrejas, shoppings, metrô, transporte público continuam lotados, mas não podemos fazer um evento para, sequer 100 pessoas, se houver cobrança de ingressos. Nos causa bastante indignação e só nos resta torcer para que a taxa de contágio diminua e as autoridades responsáveis revoguem tais restrições”.

Sindicato da categoria também reclama

Conforme diz o presidente do Sindicato das Empresas de Promoção, Organização, Produção e Montagem de Feiras, Congressos e Eventos do DF (Sindeventos- DF), Luís Otávio Rocha Neves, o decreto veio como uma surpresa. “Ano passado foi organizado um protocolo muito bem feito e agora voltam a fechar tudo. As empresas todas vão quebrar”, lamenta.

Segundo ele, o setor de eventos não pode ser considerado o único responsável por causar aumento na transmissão da Covid-19 na capital. “Os ônibus continuam cheios, os cultos religiosos também. Não pode só uma parte pagar a conta. Por qual motivo não voltam com a obrigatoriedade de máscara em lugar aberto? É só com a gente?”, questiona.

Luís diz que ainda não sabe como procederá com as festas já marcadas no DF para os próximos finais de semana. “Vamos conversar com o governo e saber o que dá para fazer. A gente quer colaborar, mas não com tudo fechado”, reclama.

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Apesar de entender a decisão do GDF em proibir a realização de shows e festas na capital, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-DF) também disse não estar feliz com o anúncio.

“É uma medida técnica que não pode contestar muito, mas a gente fica triste por afetar um setor que está muito sofrido desde o início da pandemia”, diz o presidente da Fecormércio-DF, José Aparecido.

Na avaliação dele, a decisão do GDF é uma medida preventiva que visa evitar um novo lockdown nas próximas semanas. “Lamento muito, mas é uma medida cautelar. Não critico, mas não estou feliz. Creio que antes de ser tomada uma medida dessas houve bastante análise”, destaca.

Taxa de transmissão

A preocupação das autoridades do DF é explicada pela velocidade do crescimento da taxa de transmissão do coronavírus, que subiu pela sétima vez seguida em uma semana nessa quarta-feira (12/1) e chegou a 2,11. Isso significa que uma pessoa infectada pela Covid-19 transmite o vírus para, pelo menos, outras duas.

Essa foi uma das taxas mais altas já registradas em Brasília. O recorde aconteceu no início da pandemia, em março de 2020, quando ainda não havia distanciamento social. À época, o indicador chegou a 2,61.

Veja o gráfico da evolução da taxa de transmissão ao longo do tempo:

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