Vigia demitido no RJ após gorjeta de MC Poze diz: “Nunca deu problema”

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Rio de Janeiro – O funkeiro MC Poze doou R$ 20 mil para um vigia que foi demitido após receber R$ 100 de gorjeta do artista. O caso aconteceu em um condomínio do Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio de Janeiro.

Bernardo Henrique, de 27 anos, conta que o funkeiro estava retornando de um show, na manhã de segunda (10/1), quando o chamou para entregar o presente. Segundo o vigilante, é normal que moradores do local entreguem presentes e gorjetas aos trabalhadores.

“Eu vi vários colegas saindo com cesta de natal que os moradores deram. Têm muitas pessoas gentis no condomínio. Eles davam presentes para os vigilantes, para os funcionários da manutenção. Até os garis, que iam fazer a limpeza lá dentro, ganham um agrado. Nunca deu problema nenhum”, contou jovem morador do Complexo do Alemão ao Metrópoles.


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Com o salário e benefícios atrasados, Bernardo afirma ter aceitado o dinheiro para recarregar o seu Bilhete Único, cartão de transporte público, mas que a ação não foi bem vista pela empresa.

“Eu comecei a trabalhar na empresa no dia 22 de dezembro e, no dia 29, recebi o dinheiro da passagem, refeição e alimentação. Faltou o salário, que seria pago no 5º dia útil, essa era a regra. Perguntei o porquê. Quando virou o mês, primeiro dia útil, dia 3/1, parte dos vigilantes tinham recebido o vale-alimentação, mas eu nada. No segundo dia útil, na terça-feira (4/1), eles receberam o pagamento e eu ainda nem tinha recebido o vale-alimentação”, explicou.

“Na quarta-feira, terceiro dia útil, pagaram o vale-alimentação, mas não tinha recebido o dinheiro da passagem. Quando o MC Poze me deu o dinheiro, pensei: ‘pô, vou botar esse dinheiro no bilhete único para vir trabalhar”, contou.

Exposição em grupo

De acordo com ele, ao saber da situação, seu ex-chefe enviou uma mensagem no grupo de trabalho questionando quem seria o funcionário que aparecia no vídeo gravado recebendo o dinheiro. A imagem foi feita por alguém que acompanhava o funkeiro.

“Eu me apresentei e expliquei a situação. Meu chefe mandou eu devolver o dinheiro e, na sequência, pediu para eu levar meus documentos para a demissão e me excluiu do grupo”.

Bernardo foi desligado da empresa em grupo do WhatsApp

Ação na Justiça

De acordo com ele, quando foi admitido, em dezembro, recebeu a informação de que não poderia pedir nada aos moradores. “Eu não sabia que não podia aceitar caixinha. No vídeo, dá pra ver que eu não pedi nada”, explicou.

Bernardo tem dois filhos, um menino de 1 ano e outra de 9, e tem a preocupação com o futuro da família, que conta apenas com a renda dele. “Minha esposa trabalhava, mas quando arrumei esse emprego, disse que dava para ela sair do dela. Nosso filho de um 1 ano estava ficando mal com a rotina. Todo dia que eu tinha plantão, ela tinha que deixar ele na casa da família às 5h da manhã. Estava puxado”. 

Segundo o profissional, que recebeu o valor atrasado nessa quarta-feira (12/1), um advogado avalia a situação. O vigia pode procurar a Justiça para processar a empresa.

“Pretendo colocar na Justiça sim, estou vendo a possibilidade”, afirmou

A reportagem do Metrópoles tentou entrar em contato com o Grupo Lothar, empresa envolvida no caso, mas até a publicação da reportagem, não obteve retorno.

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