Em 1 ano, nº de motoristas flagrados bêbados ao volante aumentou 76,9%

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O motorista que atropelou cinco crianças em Ceilândia, na tarde desse domingo (22/5), cometeu duas das infrações de trânsito que registraram alta em 2022, segundo o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF). Francisco Manoel da Silva, 53 anos, dirigia o veículo em alta velocidade sem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Ele também estava bêbado no momento em que atingiu meninas que atravessavam a rua.

De acordo com o Detran-DF, desde janeiro até abril deste ano, 6.498 motoristas foram flagrados conduzindo veículos sem CNH. O número representa um aumento de 27% em comparação com o mesmo período de 2021, quando foram realizadas 5.080 autuações. Já até abril do primeiro ano de pandemia da Covid-19, 2020, foram 4.563 condutores multados.

Outro levantamento que chama a atenção é o de pessoas autuadas por dirigir sob influência de álcool no DF. De acordo com o balanço do órgão, nos primeiros quatro meses de 2022, houve um salto de 76% no registro de motoristas flagrados alcoolizados, quando observado o mesmo período do ano passado, que passou de 6.474 para 11.457.

 

Em relação aos casos de atropelamento, neste ano, foram registrados 14 com mortes nos primeiros quatro meses, o que representa uma redução de 26,3% em relação ao mesmo período do ano passado, quando ocorreram 19 mortes de pedestres.

O motorista do Fox branco, responsável por provocar o grave acidente em Ceilândia, fugiu do local, mas posteriormente foi alcançado por motoboys e detido pela Polícia Militar do Distrito Federal. De acordo com a PMDF, o condutor estava bêbado “por laudo de constatação” confirmado pelo Instituto Médico Legal (IML). Trata-se de exame atestado mediante sinais claros de embriaguez, mesmo quando há recusa da parte em assoprar o bafômetro.

O professor de engenharia de tráfego da Universidade de Brasília (UnB), Paulo Cesar Marques da Silva, avalia que o aumento no número de autuações pode estar relacionado à mudança no perfil dos motoristas e, também, à quantidade de veículos nas vias do DF.

“Houve uma redução no fluxo de veículos circulando durante a pandemia e, agora, nota-se uma retomada da frota. Em relação às autuações em alta, elas não são detectadas por sistemas automáticos e precisam de abordagem. Por isso, pode ter ocorrido uma intensificação na fiscalização também”, pondera Paulo Cesar.

Porém, segundo o especialista, essa alta também pode dizer respeito ao relaxamento dos condutores, que têm a sensação de impunidade. “Casos como o que ocorreu em Ceilândia tendem a provocar reação no espectador, pois servem de alerta para quem estava pensando em dirigir e beber ou não tem CNH. Nesse sentido, a punição desse condutor causa um efeito positivo ao evitar que outra pessoa cometa a mesma infração”, diz.

Paulo também ressalta o papel das campanhas educativas por parte dos órgãos, que sensibilizam sobre questões voltadas para responsabilidade e segurança no trânsito.

Infrações gravíssimas

De acordo com o art. 165 do Código de Trânsito Brasileiro, dirigir sob influência de álcool (ou de outras substâncias com efeito psicoativo) é uma infração gravíssima. As penalidades são rígidas e incluem a multa e a suspensão do direito de dirigir. Para tal infração, está previsto o fator multiplicador 10. Com isso, o valor final da multa a ser paga pelo condutor penalizado é de R$ 2.934,70.

No caso de condutor autuado por dirigir sem CNH, o art. 162 estabelece que a infração é considerada gravíssima. Essa infração prevê multa com valor multiplicado três vezes no valor de R$ 880,41 e retenção do veículo até a apresentação de um condutor habilitado.

Francisco recebeu voz de prisão e foi levado para a 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro). De acordo com Fernando Crisci, delegado de plantão, caso seja confirmado que o atropelamento ocorreu na faixa de pedestre, o crime será ainda mais grave.


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Ainda conforme Fernando Crisci, o fato de Francisco não ser habilitado agrava sua condição. “Ele foi autuado por lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, qualificada pela falta de habilitação para dirigir.”

Dentro do veículo, além de Francisco havia um irmão dele e um primo. O primo fugiu após o acidente. Já o irmão, prestou depoimento. “Ele foi testemunha, estava no veículo e confirmou que, de fato, ele [o motorista] fez uso de bebidas. Diz que passou por uma lombada, tinha um carro na frente, ele foi tentar desviar desse carro e atropelou esse grupo de crianças”, explica o delegado.

Estado de saúde das crianças

Quatro das cinco meninas atropeladas seguem internadas e em estado grave. Maria Eduarda, 10 anos, estava internada no Hospital Regional de Ceilândia (HRC), mas recebeu alta no início da tarde desta segunda. Isabely, 10 anos, deu entrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) na tarde desta segunda.

As vítimas são primas e, duas delas, irmãs. Na mesma unidade estão Ana Julia e Bruna Raquel, ambas com 6 anos, e Sofia Valentina, 4. Todas chegaram ao hospital em estado grave. Em função da gravidade dos ferimentos, quatro vítimas acabaram transferidas para o Hospital de Base do DF (HBDF).

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