Há milhares de mortos a mais na Ucrânia do que o relatado, diz ONU

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Em coletiva de imprensa realizada, nesta terça-feira (10/5), Matilda Bogner, chefe da Missão de Monitoramento de Direitos Humanos das Nações Unidas na Ucrânia, atualizou a situação das vítimas da guerra no país. Até o momento, foram confirmadas 3.381 mortes de civis e 3.680 feridos desde o início dos ataques russos, em fevereiro deste ano. Contudo, de acordo com a organização, os “números reais” podem ser maiores.

“Temos trabalhado em estimativas, mas tudo o que posso dizer por enquanto é que é milhares mais alto do que os números que lhe demos atualmente”, disse Matilda Bogner.

A maioria das vítimas morreu ou sofreu ferimentos devido ao uso de explosivos, incluindo projéteis lançados por artilharia pesada, sistemas de lançamento múltiplo de mísseis e bombardeamentos aéreos.

A missão de monitoramento observou a destruição de escolas, casas, hospitais e prédios residenciais. As instituições de ensino têm sido usadas como base militar de ambos os países envolvidos no conflito. Ao menos 50 igrejas e templos de culto cristãos, judeus e mulçulmanos foram danificados.

“O elevado número de vítimas civis e a extensão da destruição e danos a bens civis sugerem fortemente violações dos princípios que regem a condução das hostilidades, nomeadamente a distinção, incluindo a proibição de ataques indiscriminados, proporcionalidade e precauções”, diz um comunicado publicado pela organização.

Segundo a ONU, o direito à saúde também foi afetado pelo conflito. Em locais de maior hostilidade, a taxa de mortalidade aumentou em razão do medo da população de deixar suas casas e abrigos em busca de atendimento médico.

“Os idosos e as pessoas com deficiência são dois dos grupos que sofreram desproporcionalmente os efeitos do conflito, muitas vezes dependendo de outros e sem acesso à medicação e tratamento de que necessitam.”

Além disso, a missão também recebeu denúncias de abusos sexuais em cidades ucranianas. Os casos incluem estupros, estupros coletivos, nudez forçada e ameaça de violência sexual. “Em geral, no entanto, descobrimos que as vítimas de violência sexual e suas famílias e amigos relutam em falar devido ao estigma. Os desejos das vítimas, que geralmente são mulheres e meninas, devem ser respeitados. Com o tempo, a escala dessas violações se tornará mais clara”, avalia.

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