Mulher que matou grávida para retirar bebê da barriga vai a júri popular hoje, em João Pinheiro

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Mulher que matou grávida para retirar bebê da barriga vai a júri popular hoje, em João Pinheiro Foto: Arquivo JP Agora

Acontece hoje, no Fórum da Comarca de João Pinheiro, um dos júris mais aguardados dos últimos anos. Angelina Ferreira Rodrigues, mulher que confessou ter matado a jovem Mara Cristina Ribeiro da Silva para arrancar, com uma faca, o bebê que ela esperava, será submetida ao plenário do Tribunal do Júri durante toda esta quarta-feira, 11 de maio. A defesa vai tentar comprovar que ela não deve responder por seus atos.

Os advogados que farão o júri na defesa de Angelina adiantaram, em entrevista concedida ao repórter Jeferson Sputnik na tarde de ontem (10), que vão alegar que a mulher não possui sanidade mental suficiente para responder pelo crime. O Ministério Público, por sua vez, tentará a condenação máxima pelo homicídio qualificado quatro vezes.

Relembre o caso
A história parece mais um roteiro de filme de terror. Angelina dizia para todos que estava grávida e conquistou a confiança da vítima, que também estava grávida. Então, de forma premeditada, no dia 15 de outubro de 2018, Angelina levou Mara até um matagal próximo à BR-040 com a desculpa de pegar cascas de árvores para fazer chá. As duas estavam acompanhadas, ainda, da filha de Mara, uma criança de apenas um ano de idade na época.

Chegando ao local, cerca de 120 metros às margens da rodovia, Angelina jogou álcool no rosto de Mara e a estrangulou com um pedaço de arame, pendurando a vítima já desmaiada em um tronco de árvore. Com uma faca, sem pensar duas vezes e de forma cruel, Angelina retirou o bebê da barriga de Mara, que não resistiu à grande perda de sangue e morreu no local. Horas depois, a mulher deu entrada no Hospital Municipal dizendo que o filho era seu.

Como ela não apresentava sinais de que teria dado à luz, a equipe médica desconfiou e acionou a Polícia Militar. Questionada, Angelina confirmou que o filho não era dela e que, na verdade, era de Mara e que um desconhecido lhe havia entregado o recém-nascido. A mulher e o marido chegaram a ser levados para a Delegacia de plantão da Polícia Civil em Paracatu, mas foram liberados porque não havia provas suficientes. Mara seguia desaparecida e as investigações foram intensificadas pelos investigadores de João Pinheiro.

Populares encontraram o corpo de Mara e Angelina foi questionada pelos policiais civis até que confessou a barbaridade. Além da confissão, o inquérito policial foi incisivo para a autoria de Angelina e, então, o Ministério Público a denunciou por homicídio qualificado por motivo torpe, com emprego de tortura ou outro meio insidioso e cruel, mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima e, por fim, para assegurar a execução e impunidade de outro crime (art. 121, §2º I, III, IV e V do Código Penal), além dos crimes de dar parto alheio como próprio (art. 242 do Código Penal) e subtração de incapaz (art. 249 do Código Penal). Além da confissão, o inquérito também ouviu várias testemunhas e nos altos da investigação contém imagens que mostram que Angelina estava sozinha, quando levou Mara até o local onde ela foi executada.

A ação penal foi distribuída ainda em 2018 e, após a apresentação de resposta à acusação, a justiça pronunciou Angelina e determinou que ela fosse julgada pelo Tribunal do Júri. A sessão de julgamento foi designada para o dia 11 de maio. Na oportunidade, acusação e defesa apresentarão seus argumentos e, ao final, o conselho de sentença, composto por integrantes da sociedade pinheirense, darão o veredito. Depois, o juiz fixará a pena, se caso a mulher for condenada.

Fonte: Jp Agora

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