Assassino confesso narra últimos momentos de Bruno e Dom

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O pescador Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como “Pelado”, narrou à Polícia Federal (PF) na última quarta-feira, 15 de junho, como ocorreu a perseguição que acabou com a morte do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Araújo Pereira. O relato foi dado durante a reconstituição do crime. O programa Domingo Espetacular, da Record, teve acesso à gravação.

Segundo Pelado, a perseguição à lancha na qual Bruno e Dom estavam durou cerca de 5 minutos. Jeferson teria atirado contra Bruno, que revidou com tiros. O indigenista, no entanto, foi acertado e perdeu o controle da embarcação, que entrou mata adentro. Depois disso, Pelado e Jeferson teriam ido até a lancha e executado os dois.

Os suspeitos, então, teriam retirado os pertences pessoais das vítimas do barco em que estavam e o afundaram. Com os dois corpos na canoa, avançaram por duas horas navegando no rio. Quando desceram, prosseguiram ainda por cerca de 15 minutos dentro da floresta até o ponto em que queimaram os corpos.

A tentativa de ocultação, porém, não teria dado certo. Jeferson e Amarildo retornaram no dia seguinte, esquartejaram os corpos e os enterraram em um buraco escavado. A distância entre o local em que os pertences foram escondidos e onde os corpos foram enterrados é de 3,1 km.

Os investigadores notaram que a região usada para ocultar os cadáveres foi adulterada para camuflar os corpos. Uma árvore teria sido derrubada, além dos arbustos remanejados. A perícia foi dificultada por se tratar de uma área alagada.

O exame médico-legal, realizado pelos peritos da PF, indica que a morte de Dom Phillips foi causada por traumatismo toracoabdominal por disparo de arma de fogo com munição típica de caça. Foram identificados “múltiplos balins” (múltiplos projéteis de arma de fogo), ocasionando lesões na região abdominal e torácica. Ele foi atingido com um tiro.

A morte de Bruno Pereira foi causada, segundo os peritos, por traumatismo toracoabdominal e craniano por disparos de arma de fogo com munição típica de caça, “que ocasionaram lesões no tórax/abdômen (2 tiros) e face/crânio (1 tiro).”

Veja a cronologia dos fatos a partir do desaparecimento da dupla:

  • 5 de junho (domingo): Dom e Bruno viajavam juntos para que o jornalista realizasse entrevistas para um livro que escrevia, sobre a preservação da Amazônia. Eles foram vistos pela última vez na comunidade ribeirinha São Rafael, pela manhã, e saíram em direção ao município de Atalaia do Norte. O caminho pelo rio Itaquaí duraria cerca de duas horas. No mesmo dia, as equipes de vigilância indígena da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) fizeram as primeiras buscas, sem resultados.
  • 6 de junho (segunda-feira): Univaja emite comunicado oficial em que informa o desaparecimento. A operação começa a ser montada com equipes da Marinha, Polícia Federal, Ministério Público Federal e Exército.
  • 8 de junho (quarta-feira): a força-tarefa prende o primeiro suspeito de envolvimento no crime, o “Pelado”.
  • 12 de junho (domingo): uma semana depois do desaparecimento, mochilas com os pertences pessoais das vítimas foram encontradas. A polícia já havia encontrado, também, vestígios de sangue no barco de Pelado.
  • 14 de junho (terça-feira): Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como “Dos Santos” e irmão de Amarildo, é o segundo preso sob suspeita de também estar envolvido no desaparecimento.
  • 15 de junho (quarta-feira): depois de fazer uma reconstituição do caso junto a Amarildo, a força-tarefa anuncia ter encontrado “remanescentes humanos” que, mais tarde, se confirmariam como os corpos de Dom e Bruno.
  • 16 de junho (quinta-feira): corpos chegam a Brasília para realização de perícia e confirmação de identidade.
  • 18 de junho (sábado): polícia prende terceiro suspeito, Jeferson da Silva Lima, conhecido como Pelado da Dinha. PF afirma que “os executores agiram sozinhos, não havendo mandante nem organização criminosa por trás do delito”.
  • 19 de junho (domingo): Polícia informa ter identificado outros cinco suspeitos que teriam atuado na ocultação dos cadáveres.

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