Boletim do golpe (X) – Se acontecer, será depois do segundo turno

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Sabe Bolsonaro, advertido que foi para isso pelos seus aliados do Centrão, que se ele quiser e puder de fato aplicar um golpe para permanecer no poder só terá chances de êxito depois do segundo turno. E para isso a eleição não poderá ser liquidada no primeiro.

Dito de outra maneira: Bolsonaro terá de valer-se de todos os meios para ser um dos finalistas do segundo turno. Por enquanto, pelo menos, é impensável que ele seja ultrapassado por outro candidato e que fique de fora do segundo turno.

Mas não é impensável que Lula se eleja ainda no primeiro turno. Se isso ocorrer, ou se o acaso aprontar e outro nome qualquer se eleger direto no primeiro turno, Bolsonaro não contará com o apoio do Centrão para recusar-se a aceitar o resultado.

Se o fizesse, estaria também pondo em dúvida o resultado das eleições de 513 deputados federais, um terço dos senadores, 27 governadores e centenas de deputados estaduais. Não daria para circunscrever a denúncia de fraude apenas à eleição presidencial.

Eventuais derrotados poderiam apoiá-lo, mas os vencedores jamais. Observe o cuidado que ele tem quando diz que só não se elegeu presidente no primeiro turno em 2018 porque a eleição foi fraudada. Ele limita a fraude à eleição para presidente.

Apresentou alguma prova de que forças ocultas o impediram de se eleger no primeiro turno? Não. Mas ele dispensa provas para dizer o que quer. O que importa é que seus seguidores fanáticos lhe deem razão e atendam aos seus sucessivos gritos de guerra.

Portanto, vale eleger no primeiro turno Lula, Ciro Gomes, Simone Tebet e até Eymael, “um democrata cristão”, para dificultar qualquer tentativa de golpe bolsonarista.

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