Bolsonaro, o exterminador do futuro, celebra o prejuízo da Petrobras

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Bolsonaro assumiu a presidência da República dizendo que sua principal tarefa seria destruir “o sistema” para pôr outro no lugar. Nunca definiu com precisão o que é “o sistema”, talvez porque não soubesse o que ele é de fato, ou talvez para que “o sistema” não tivesse tempo de se amar para reagir à ameaça.

Se por “sistema” entende-se o status quo, o conjunto de forças que sempre mandou no país, não faria sentido Bolsonaro destruí-lo. A princípio, o “sistema” tinha outros candidatos a presidente da República em 2018, e Bolsonaro não era um deles. Como Fernando Collor, em 1989, também não era.

Mas para derrotar a esquerda (Lula e Leonel Brizola) na primeira eleição presidencial pós-ditadura de 64, “o sistema” apoiou Collor, largando-o de mão dois anos e meio depois por denúncias de corrupção. Pelo mesmo motivo, uma vez que os candidatos ao seu gosto não decolaram, o sistema” apoiou Bolsonaro.

Não deve estar muito satisfeito com ele, mas ainda não decidiu abandoná-lo completamente. Vai depender das garantias que Lula lhe ofereça de que governará mais pela direita do que pela esquerda. Enquanto isso, Bolsonaro, aterrorizado pela hipótese de perder e de ser preso, dobra sua aposta no quanto pior, melhor.

Ao saber que haveria um novo reajuste no preço dos combustíveis, elegeu a Petrobras como o inimigo do momento, sem tirar da mira a Justiça, a oposição e a mídia. Decidido a bancar na Câmara uma CPI da Petrobras, antecipou, ontem, que as ações da empresa voltarão a cair com a reabertura da Bolsa de Valores amanhã.

Na última sexta-feira, as ações da Petrobras desabaram mais de 6%, o que resultou numa perda de valor de mercado de 27,3 bilhões de reais. Desta vez, Bolsonaro estima que a empresa perderá mais de 30 bilhões. O governo é o maior acionista da Petrobras, e quanto menos ela valha, mais ele perderá. Mas, e daí?

O que importa para Bolsonaro é não ser responsabilizado pelo aumento do preço dos combustíveis, o que agravaria ainda mais sua situação aos olhos dos eleitores. Se ele ao menos tivesse garantias de que não seria preso caso não se reeleja, e seus filhos também, quero crer que talvez mudasse de comportamento.

Garantias não terá. Então, prepare-se o país para atravessar 6 meses e 10 dias de fortes turbulências. Apertem os cintos. O piloto perdeu a razão e flerta com o desastre.

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