Crachá em Bolsonaro, choro e flexões: a trajetória de Pedro Guimarães

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Durante eventos oficiais do governo, Pedro Guimarães costuma ostentar no pescoço um crachá de funcionário da Caixa Econômica Federal. Ele já chegou, inclusive, a entregar um crachá ao presidente Jair Bolsonaro (PL). Em agendas fora de Brasília, o executivo adotou o hábito de usar um colete estampado com a logomarca do banco público.

Em dezembro do ano passado, causou polêmica ao aparecer em vídeos ordenando que todos os diretores e vice-presidentes da instituição fizessem flexões durante uma cerimônia pública, a pretexto de motivá-los.

Confira:

Guimarães foi denunciado por uma série de funcionárias do banco público à coluna de Rodrigo Rangel por assédio sexual. Uma investigação está em andamento no Ministério Público Federal. Ele e o governo ainda não se pronunciaram oficialmente sobre as denúncias.

No governo, Pedro Guimarães é também conhecido pela maneira emotiva de discursar. Em julho de 2021, por exemplo, ele foi às lágrimas ao inaugurar uma agência da Caixa no Ceará. Na ocasião, Bolsonaro participou do evento por videoconferência, internado no hospital Vila Nova Star, em São Paulo, após uma obstrução intestinal.

Veja o vídeo:

Quando o presidente da República foi anunciado, Guimarães levou a mão ao rosto para enxugar as lágrimas. “Eu vi que você está emocionado”, reagiu Bolsonaro. “É difícil, né, presidente. Desculpa. Já sabem que eu sou chorão”, respondeu o presidente da Caixa.

A emoção também costuma tomar conta do economista quando menciona o pai, morto vítima da Aids há mais de 25 anos. Uma das primeiras vezes em que mencionou o fato foi em live com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em 2020.

“Meu pai morreu de Aids, sem dinheiro. Foi há mais de 25 anos. Ninguém entendia direito a doença. Eu fico emocionado quando vejo a distribuição de R$ 600 em Roraima, onde 90% do auxílio que pagamos são destinados a venezuelanos. Tem gente que nunca viu tanto dinheiro”, disse ele.

Guimarães também costuma resgatar sua origem humilde, já disse ter vivido a “vida inteira pagando cheque especial”.

Indicação de Guedes

Com experiência prévia no mercado financeiro, Pedro Guimarães chegou ao governo indicado por Paulo Guedes. Ele assumiu o comando da Caixa em janeiro de 2019 e já havia sido cotado para outros postos, inclusive o de ministro da Economia em momentos de enfraquecimento do “Posto Ipiranga”.

Graças à visibilidade que ganhou a partir da entrada para o governo, Pedro Guimarães chegou a cogitar concorrer a deputado federal ou a senador nas próximas eleições. Acabou desistindo depois de ser apresentado a pesquisas pouco animadoras sobre suas chances de vitória. Ele também chegou a ser cogitado para vice de Bolsonaro em 2022.

Carioca, Guimarães é casado e pai de dois filhos. O executivo de 51 anos tem PhD pela Universidade de Rochester, nos Estados Unidos e já trabalhou no mercado financeiro. Ocupou cargos elevados em bancos importantes e em fundos de investimentos.

Guimarães se aproximou paulatinamente das pautas ideológicas do presidente Bolsonaro ao longo da atual gestão. Na pandemia, ele se tornou adepto de teses anticientíficas propagadas pelo presidente da República.

Vídeo da reunião ministerial de 22 de abril de 2020 mostrou Guimarães ironizando quem está trabalhando de casa enquanto os 30 mil funcionários do banco não poderiam fazer isso. “Não tem esse negócio, essa frescurada de home office, disse.

Além de ser figura frequente nas lives semanais de Bolsonaro, ele costuma acompanhar o presidente também em agendas pelo país. Na última terça-feira (28/6), por exemplo, esteve na comitiva que foi a Maceió (AL), ocasião em que discursou defendendo o governo.


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As denúncias

Um grupo de funcionárias decidiu romper o silêncio e denunciar as situações pelas quais passaram. Todas elas trabalham ou trabalharam em equipes que servem diretamente ao gabinete da presidência da Caixa.

Cinco concordaram em dar entrevistas para o colunista Rodrigo Rangel, desde que suas identidades fossem preservadas. Elas dizem que se sentiram abusadas por Pedro Guimarães em diferentes ocasiões, sempre durante compromissos de trabalho.

As mulheres relatam toques íntimos não autorizados, abordagens inadequadas e convites heterodoxos, incompatíveis com o que deveria ser o normal na relação entre o presidente do maior banco público brasileiro e funcionárias sob seu comando.

A iniciativa dessas mulheres levou à abertura de uma investigação que está em andamento, sob sigilo, no Ministério Público Federal.

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