Edital para concurso da Saúde muda antes da prova e revolta candidatos

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Faltando apenas 11 dias para as provas, as retificações repentinas no edital do concurso para médicos da Secretaria de Saúde do Distrito Federal surpreenderam e revoltaram parte do candidatos. Inicialmente, o certame exigia o certificado de conclusão do curso de Medicina, com as mudanças a residência médica passou a ser obrigatória.

A Secretaria de Saúde lançou o edital em 25 de março deste ano. As provas também vão selecionar enfermeiros e dentistas. Mas, em 15 de junho, o Instituto Brasileiro de Formação e Capacitação (IBFC), responsável pelo certame, publicou as retificações, incluindo a exigência da residência. As provas objetivas estão marcadas para 26 de junho.


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A nova exigência inviabilizou a participação de diversos candidatos. Na terça-feira (21/6), o IBFC divulgou nota abrindo possibilidade de restituição da taxa de inscrição. Mesmo assim, os acontecimentos despertaram a indignação entre os inscritos. Para parte dos prejudicados, o concurso deveria ser cancelado e reaberto.

Alan Rodrigues (foto em destaque), de 26 anos, é um dos candidatos atingidos pela mudança. Cursando o último semestre do curso de Medicina na Universidade de Brasília (UnB), trabalha em um hospital todos os dias, cumprindo mais de 40 horas semanais. Estudava no intervalo do almoço, fins de semana, feriado, dedicando de 7 a 12 horas para a preparação.

O estudante pretendia disputar uma das vagas para Clínica Médica. Além de pagar R$ 130 para a inscrição, também investiu R$ 500 junto com uma colega em um curso digital preparatório. Segundo Borges, para essa especialidade, a exigência da residência não é comum para contratações públicas e privadas.

“Eu me sinto muito frustrado com isso tudo. Porque eu me dediquei, estudei”, lamentou. Para Rodrigues, não há justificativa para a demora da banca examinadora no anúncio da retificação. “Simplesmente devolver o dinheiro é muito pouco”, criticou. Para o candidato, a mudança altera toda a concorrência do concurso.

Indignação

Se o estudante soubesse da restrição, não teria feito a inscrição para a Clínica Médica. Buscaria uma oportunidade na Medicina de Família e Comunidade, área em que inclusive fará residência. “Minha indignação mesmo foi isso de mudar muito próximo da prova”, reforçou Rodrigues.

A mudança também frustrou os sonhos de Andressa Carvalho de Oliveira, de 26 anos, concorrente para o cargo em Medicina de Emergência. Segundo a concorrente, no concurso anterior, não havia exigência da residência. “Estou totalmente decepcionada. Tanta coisa para estudar. Abdiquei de um tempo da vida para estudar para uma priva que não vou poder fazer”, desabafou.

Segundo Andressa, a residência para Medicina de Emergência é relativamente nova no DF, tendo começado em 2018. Além disso, as poucas turmas são pequenas, tendo em média três alunos. “Ou seja, não deu tempo de formar emergencista o suficiente para atender a demanda da Secretaria de Saúde. Vai faltar médico nessa área e provavelmente vão ter que fazer um novo concurso”, alertou.

O novo concurso público oferece vagas com salários de até R$ 12 mil. Atualmente a Secretaria de Saúde enfrenta um grave déficit de médicos em diversas áreas, a exemplo da atenção primária e da pediatria. A falta de profissionais prejudica diretamente o atendimento dos pacientes nas unidade da rede pública.

Outro lado

O Metrópoles entrou em contato com a Secretaria de Saúde do DF e o IBFC sobre a mudança no edital. A pasta não comentou o caso, alegando apenas que a banca responsável pela elaboração do edital já divulgou comunicado sobre o assunto. O instituto não se manifestou. O espaço segue aberto para comentários dos responsáveis.

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