Transferência de bebê com cardiopatia grave do ICTDF revolta família

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A Justiça do Distrito Federal determinou que a pequena Clara Leal Ramalho Catunda (foto em destaque), 3 meses, permaneça internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal, onde ela está hospitalizada desde 28/5. O ICTDF, entretanto, informou à família que irá recorrer da liminar e transferir a bebê para o Hospital da Criança.

Clara tem uma cardiopatia que agravou-se e evoluiu para necessidade de transplante. Enquanto aguarda por um doador, a menina é medicada com remédios que mantêm o funcionamento do coração e, também, necessita de ventilação mecânica.

 

Nessa segunda-feira (20/6), a pequena teve uma parada cardiorrespiratória e precisou ser reanimada. Segundo o pai de Clara, o morador de Vicente Pires Thiago Ramalho Catunda, 33 anos, na semana passada, ele soube a respeito da transferência da bebê para outro hospital.

“O ICTDF alega que ela está com quadro estável, mas não apresentam o relatório médico. Queremos que ela continue tendo um acompanhamento especializado e, no DF, não existe outra unidade cardiológica. O quadro dela é muito delicado”, explica Thiago.

Por conta disso, a família procurou o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para que não ocorresse a transferência. O órgão, juntamente com o juiz plantonista, manifestaram-se favoráveis pela manutenção de Clara no ICTDF até que se apresentem documentos que comprovem a segurança da mudança de unidade.

“Diante da pouca idade da parte autora (3 meses) e da grave situação de saúde comprovada documentalmente nos autos, reputa-se prudente que seja mantida a internação no ICTDF, até
que o hospital ou o GDF prestem informações que esclareçam a necessidade e viabilidade da suposta transferência”, justificou o juiz Gustavo Fernandes Sales.

Thiago conta que o instituto apresentou, até o momento, apenas um boletim médico do dia 17/5. “Eu fui informado de que só poderiam me apresentar o relatório completo com a evolução clínica de Clara 30 dias após o meu pedido. Precisamos de informações atualizadas sobre o real estado de saúde dela”, afirma.


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Entenda o caso

No início de maio, Clara foi diagnosticada com uma bronquiolite, mas fazia o tratamento em casa. Porém, a menina teve uma piora no quadro e precisou ser internada na UTI do Hospital Regional de Taguatinga (HRT).

Por causa do inchaço no coração e a deterioração do órgão, a cardiologista responsável pela paciente solicitou a realização de uma ressonância com contraste e sedação total, que constatou a cardiopatia grave.

A menininha também tinha encaminhamento médico para ser transferida em definitivo para o ICTDF, pois precisava de acompanhamento cardiológico especializado.

A 5ª Vara da Fazenda Pública e Saúde Pública do DF determinou que Clara fosse transferida para o instituto, uma vez que a “gravidade do estado de saúde foi reconhecida em vários outros laudos, relatórios médicos e exames que acompanham a exordial, donde se extrai, no mínimo, a presunção da necessidade de realização de acompanhamento especializado que não era fornecido no HRT”.

“Não tem mais o que possa ser feito clinicamente”, revela o pai, Thiago Ramalho Catunda, de 33 anos. Segundo ele, o laudo do último exame apontou que parte do coração da pequena não funciona mais. “Quando o laudo saiu, deu que o lado esquerdo do coração dela está perdido”. O drama pode ser acompanhado pelo Instagram criado pela família para atualizações diárias.

O que diz o ICTDF

Em nota, o Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal (ICTDF) informou que a paciente vem recebendo todo o suporte necessário. “Pelo fato de se tratar de transplante, a paciente deverá ser encaminhada para a rede pública, em UTI Pediátrica que atenda à sua demanda, pois as UTIs do ICTDF são utilizadas por pacientes em pré e pós operatório”, esclareceu.

“Assim, considerando que C. L. R. C. tem condições de aguardar por doador compatível em UTI Pediátrica da rede pública de saúde do DF, o movimento deverá ser feito viabilizando que o ICTDF continue a atender os demais pacientes que se encontram na fila de cirurgia, e que dependem da liberação de leito de UTI de retaguarda”, acrescentou o hospital.

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