Jogadores abandonados após golpe de empresários: “Ferraram com tudo”

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“Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?” A frase do clássico do grupo de rock Skank ainda ecoa na mente de 22 atletas naturais do Rio de Janeiro, Maranhão e Bahia, que desembarcaram em Brasília com a promessa de atuarem pelo CFZ, clube que disputaria a segunda divisão profissional da cidade.

Às vésperas do início da competição, marcada para este sábado (30/7), os jogadores foram pegos de surpresa com a informação de que o clube havia desistido de participar do campeonato.

Os autores da promessa seriam Marcelo Melo de Barros e Cristiano Ribeiro Mota, que se apresentavam como treinador e diretor do CFZ, respectivamente. Ambos desapareceram com dinheiro e os documentos pessoais dos jovens.

Veja quem são os falsos empresários:


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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga o golpe. A estimativa é que o prejuízo tenha ultrapassado os R$ 100 mil, pois cada um teria desembolsado entre R$ 2 mil e R$ 4 mil para pagamento de despesas pessoais.

Pai de duas meninas, de 5 e 2 anos, Andrey da Silva, 21, é uma das vítimas da dupla golpista. Carioca, o jovem chegou em Brasília em 6 de junho, onde, até a última semana, mantinha a rotina de treinos normalmente.

“Os caras tiraram a gente de dentro da nossa casa com promessa de ser campeão, com salário e tudo direitinho, mas quando a gente chegou aqui não era nada disso”, revela.

“Entregamos todos os nossos documentos e os caras simplesmente foram embora, ferraram com tudo”, lamenta Andrey.

Antes de sumir, a dupla avisou que não daria treino, pois os atletas estariam com cansaço muscular. “Ninguém entendeu nada. Quando chegou à tarde, a gente recebeu a notícia de que o time tinha saído do campeonato. Ligamos e eles não queriam atender a gente”.

Francivaldo Lázaro Silva, conhecido como Vavá, 22, também foi um dos jovens enganados. “Ficamos sem acreditar. Tentamos entrar em contato com eles para saber o que estava acontecendo, mas não deram nenhuma satisfação”, diz.

Nos últimos dias, alguns jogadores conseguiram retornar para suas casas. Mas, no momento, 15 jovens ainda vivem de favor em uma casa cedida por uma moradora da região. “Conforme as dívidas eram feitas, os atletas acabavam despejados”, explicou o delegado da 14ª DP (Gama) Willian Ricardo.


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Assista como está a situação dos jogadores abandonados pelos falsos empresários:

 

Auxílio da população

Os jogadores acabaram ficando no DF sem qualquer tipo de auxílio, sem alimentação, dinheiro ou hospedagem. Consternado com a situação, o dono de um dos hotéis que foi lesado pelos empresários fakes passou a ajudar fornecendo quentinhas para garantir as refeições dos jovens.

Sensibilizada com a situação, uma moradora da região cedeu uma casa de um quarto para que eles tivessem, pelo menos, onde passar as noites, já que todos estavam na rua. “Dois dos atletas, que eram adolescentes, foram enviados de volta ao Rio de Janeiro após as famílias enviarem o dinheiro das passagens”, explicou o delegado.

Servidores da Administração Regional do Gama foram ao local onde os garotos estão dormindo para tentar viabilizar um atendimento até que todos possam voltar ao Rio de Janeiro. Existe a possibilidade de os atletas serem levados para um dos Centros de Referência e Assistência Social (Cras) do Gama.

 

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