Boletim do golpe (XVII): Bolsonaro, em modo desespero

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A alguns dos seus ministros, Bolsonaro confidenciou que aceitou o convite da Rede Globo de Televisão para ser entrevistado ao vivo pelo Jornal Nacional no próximo dia 22.

Embora trate a Globo como “lixo”, ele admite que não pode desperdiçar a chance de falar ao telejornal de maior audiência do país. Record, SBT, Rede TV, Jovem Pan que o perdoem.

Bolsonaro entrou em agosto, o mês do cachorro louco, batendo no sistema eleitoral brasileiro, em ministros do Supremo Tribunal Federal e nos que assinaram a Carta pela Democracia.

Na verdade, são duas cartas. Uma da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, com mais de 600 mil assinaturas de professores, juristas, intelectuais, empresários e banqueiros.

A outra carta, chamada de manifesto ou documento, foi iniciativa da Federação das Indústrias de São Paulo, apoiada pela Associação Comercial de São Paulo e a Federação Brasileira de Bancos.

Embora sem citar Bolsonaro nem o governo, a primeira carta diz que a democracia no Brasil corre perigo. Menos incisiva, a outra sugere algo parecido ou se limita a defender a democracia.

Bolsonaro já disse que não assinará nenhuma delas porque não precisa provar que é um democrata. Uma piada. Democrata não defende ditadura, tortura e fuzilamento de presos políticos.

Democrata não tenta desacreditar as urnas eletrônicas que lhe deram cinco mandatos de deputado e um de presidente. E não reúne embaixadores para falar mal do seu próprio país.

Quem está louco no mês em que os cachorros costumam entrar no cio é ele, que tem dito que reagirá à bala se um dia receber ordem de prisão. Está convencido de que assim será se não se reeleger.

Daí ter entrado em modo desespero, segundo comentário de um dos seus ministros. Acha que será processado (sentimento de culpa) e que seus filhos se tornarão alvos fáceis de investigações.

Alguns dos seus auxiliares dizem que Bolsonaro está “transtornado”, outros que está “descontrolado”, outros que ele chega a chorar às vezes por julgar muito difícil se reeleger.

“Nunca serei preso”, repete com frequência. Sente-se perseguido pela Justiça e aponta como seus algozes os ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso, do Supremo.

Estica a corda quando fala deles com a esperança de que os militares não o abandonem se for o caso de aplicar o golpe. Vê o próximo 7 de setembro como data para demonstrar sua força.

Nesse dia, quer misturar militares e bolsonaristas em desfile na praia de Copacabana ao final da tarde. Em Brasília, na parte da manhã, pretende que a parada militar seja a maior da história.

Orientado por ele, o general Paulo Sérgio Nogueira, ministro da Defesa, enviou um ofício ao Tribunal Superior Eleitoral com o selo de “urgentíssimo” pedindo acesso aos códigos-fontes das urnas.

O tribunal respondeu que o acesso foi liberado há 11 meses e que as Forças Armadas sabem disso. O general se faz de bobo porque quer, só para criar tumulto e ajudar o seu supremo chefe.

No que de fato importa, as eleições, Bolsonaro vai mal. Em Minas Gerais, o terceiro maior colégio eleitoral do país, não conseguiu o apoio do governador Romeu Zena (Novo), líder das pesquisas.

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