Carandiru: “Anistia a policiais é política de morte”, diz sobrevivente

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São Paulo – O massacre do Carandiru voltou ao noticiário nessa terça-feira (2/8) com a aprovação pela Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados do projeto de lei (PL) que propõe conceder anistia aos 73 policiais condenados.

Os agentes participaram da operação, em 2/10/1992, que acabou com a morte de 111 presidiários da Casa de Detenção de São Paulo, popularmente conhecida como Carandiru.

A proposta prevê a anulação das penas dos policiais que vão de 125 a 600 anos de prisão. O projeto de lei ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e depois será votado no plenário da Câmara.


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“Política de morte”

Cláudio Cruz é sobrevivente do massacre do Carandiru e integra o programa popular Frente de Desencarceramento São Paulo. Conhecido atualmente pelo nome artístico Kric Cruz, ele não se surpreendeu com a aprovação.

“Mostra o prosseguimento de uma política de morte, de uma segurança pública voltada aos genocídios, aos massacres. Isso é a maneira de eles crucificarem um povo já morto e mostrar que eles podem matar e nada vai acontecer”, disse ao Metrópoles.

“Medo até hoje”

Kric disse que cumpriu penas durante 28 anos em penitenciárias paulistas, sendo 20 anos dentro do Carandiru. Quando a Tropa de Choque da Polícia Militar da Polícia invadiu o pavilhão 9 do Carandiru, Kric era detento do pavilhão 8. Ele já estava na Casa de Detenção há cerca de 12 anos até aquele momento.

“Quando o Choque chegava na [Avenida] Cruzeiro do Sul a maioria já tirava a roupa. A gente tirava a roupa e ficava esperando, tremendo de medo”, relatou ele, sobre a rotina com a chegada da Polícia Militar. “Eu mesmo tinha um medo terrível do Choque, tenho até hoje”.

Massacre do Carandiru

Aos 65 anos e quase três décadas depois, o sobrevivente ainda lembra detalhes do dia 2 de outubro de 1992.

“O Choque entrou com o objetivo de matar, foi uma coisa premeditada e construída. Eles entraram e em seguida eu comecei a escutar muitos tiros e gritos. Aquilo entrou dentro da minha mente. Se eles tivessem entrado no [pavilhão] 8, eu teria morrido. Foi muito tiro e muito rápido.”

Kric foi contra os próprios presos serem obrigados a retirarem os corpos das vítimas do massacre. “Sofri a consequência no dia seguinte. Eu fui parar em Araraquara, que era um castigo. Cheguei em Araraquara bem machucado”, lembrou.

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