Mãe que amarrou filha em placa diz que teve benefícios sociais negados

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A história de vida da mãe que precisou amarrar a filha em uma placa de trânsito no DF para pedir ajuda em um sinal ganhou novos capítulos. Após a veiculação do caso, a mulher recebeu doações e, inclusive, uma vaquinha organizada pelo site Razões para Acreditar. Apesar de o dinheiro ser capaz de ajudar a família durante um período, uma hora, no entanto, ele acabará. Nesse momento, os programas sociais do governo, ao qual ela tem direito, impediria que a família voltasse a ter problemas. Contudo, segundo a mulher, há dois anos a família tem tido o acesso aos benefícios negado.

“Fiz de tudo para conseguir [os benefícios]. Cheguei até mesmo a dormir dias na porta do Cras, mas nada foi resolvido. No site, a única coisa que aparece é que não fui ofertada em nenhum dos programas”, explica.

De acordo com a mãe, desde que chegou ao Distrito Federal para conseguir tratamento para a criança, de 5 anos, ela tenta, sem sucesso, conseguir acesso a algum auxílio. A família, segundo a mulher, mora em uma casa alugada onde pagam R$ 650, tudo que possuem lá dentro veio de doação. O remédio que Maria precisa tomar não é cedido pelo SUS e custa R$ 60 cada caixa, que dura apenas 10 dias. Em meio ao desespero, passou a vender guloseimas na rua.


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Após a divulgação da reportagem do Metrópoles, a moça disse que chegou a receber ofertas de emprego, mas ninguém a contratou. Por isso, até receber o valor arrecadado na vaquinha, a mulher precisou continuar perambulando entre os diversos veículos parados diante de um semáforo no Buraco do Tatu, a 2km do Congresso Nacional, pedindo auxílio financeiro, já que não conseguiu acesso a programas sociais.

A reportagem entrou em contato com a Secretária de Desenvolvimento Social, que informou que a “situação” seria apurada. No entanto, a mulher afirma que não foi procurada e segue sem ter acesso ao direito.

Entenda o caso

A imagem da situação em que se encontrava a criança chocou motoristas que passam pelo local, mas a mãe, que terá seu nome preservado nesta reportagem, garante não ser um caso de maus-tratos. “Somos só eu, meu marido e ela. Não consigo uma creche especial que cuide dela, mas, mesmo assim, ela está na escola”, desabafou a mãe. À época, a criança não havia tido aula e para não deixar a filha sozinha, a mulher precisou levá-la ao sinal.

A mãe explicou ao Metrópoles os motivos de deixar a filha presa à placa de sinalização. “Para que ninguém a roube de mim e para impedi-la de atravessar a rua quando eu me virar. Minha filha é tudo para mim, não me perdoaria se algo acontecesse com ela”, disse a goiana.

À reportagem, ela ponderou não ser sempre que leva a filha para a área central da cidade. “Só quando ela não tem aula, porque fico sem escolha”. Segundo a mãe, que não tem familiares no DF, esse foi “o único jeito de terem o que comer” em casa.

Segundo a vendedora, quando a filha está com ela, ambas ficam durante a manhã nos sinais. Logo que o tempo começa a esquentar, no entanto, elas juntam os objetos pessoais e vão embora para casa.

“Ela trata o rim. Só tem um. Esse é um dos outros motivos para estarmos aqui. As coisas realmente não estão fáceis. Não temos muitas opções. Então, quando ela vem comigo, trago tudo o que ela precisa. Na sacola tem água, suco, comida e o banheiro da rodoviária fica logo ali. Não tem vaga em creche com tempo integral. Então, ela segue na escolinha, que vira e mexe não tem aula”, detalhou.

Diante da boa repercussão, ela permitiu a divulgação de sua chave Pix (61 993078274) e declarou que toda doação, comidas e roupas serão bem-vindas.

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