Preconceito: vereadores em GO criticam ambulatório para pessoas trans

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Goiânia – Em Senador Canedo (GO), cidade da região metropolitana de Goiânia, vereadores se posicionaram contra e criticaram duramente, durante sessão na Câmara Municipal, realizada nessa terça-feira (9/8), a criação de um ambulatório para atendimento da população transexual e travesti.

Um deles, o vereador Daniel Cardoso (PSC), chegou a segurar uma Bíblia durante o discurso e alegou na fala que quem requer o atendimento especializado deve usar o próprio dinheiro. “Por que não vai atrás de psicólogo para tratar essas pessoas?”, questionou.

O Ambulatório Regionalizado do Processo de Afirmação de Gênero oferece atendimento multidisciplinar para pessoas trans e travestis. A unidade implantada em Senador Canedo vai atender não só a população local, mas também de outras 24 cidades. Entre as atividades do ambulatório, consta o amparo no processo de redesignação de gênero.

“Se você nasceu homem, peça a Deus sabedoria para que tire isso de dentro de você e que te cure, te salve. E se não conseguir curar, faça uma poupança, vende um carro, uma casa, vai para São Paulo e pague do seu bolso”, esbravejou o vereador.

Outros dois colegas, os vereadores Celismar Lima (PROS) e Eliel José (Podemos) também se posicionaram contra. Lima citou a Bíblia no discurso e disse que dinheiro público não pode ser usado para “ideologia de gênero”: “Deus criou homens e mulheres”.

Posição da prefeitura

As falas e posições expressadas na sessão geraram polêmica e foram alvo de críticas, em razão do tom preconceituoso e transfóbico. A própria prefeitura de Senador Canedo repudiou o que foi dito pelos vereadores.

A administração local esclareceu que o ambulatório é um serviço de saúde pública e que o município atende a todos, independente dos estigmas: “Repudiamos as falas deferidas pelos vereadores e reafirmamos o nosso compromisso com a população”.

O ambulatório foi inaugurado no final de julho. Além da cirurgia de redesignação de gênero, os atendimentos multidisciplinares são compostos, ainda, de apoio psicológico, psiquiátrico, hormonioterapia, assistência social e outros.

Um dos focos do projeto é incluir a população trans nos serviços de saúde pública, dada a necessidade de atenção específica. A administração local reconhece que muitas vezes a comunidade transexual é marginalizada e acaba não sendo contemplada nos atendimentos de saúde.

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