Associação criminosa que lucrou R$ 61 bi com criptoativos é alvo da PF

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A Polícia Federal (PF), com o apoio da Receita Federal, deflagrou, na manhã desta quinta-feira (22/9), a Operação Colossus para reprimir crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e associação criminosa, apurados de 2017 a 2021, e que ainda ocorrem.

Cerca de 170 policiais cumprem 101 determinações judiciais expedidas pela 6ª Vara Criminal de São Paulo (SP). São dois mandados de prisão preventiva; 37 de busca e apreensão, sendo 22 contra pessoas físicas, e 15 em empresas.

Entre as pessoas jurídicas, destacam-se mandados de busca em seis exchanges — plataformas digitais para negociação de criptomoedas; quatro instituições financeiras autorizadas pelo Bacen a operar no mercado de câmbio; e três escritórios de contabilidade.

Além dos mandados de busca e apreensão, houve determinação de bloqueio de bens e valores dos investigados, no valor de R$ 1.247.770.199,05. A Justiça determinou, também, o sequestro de ativos virtuais titularizados pelos investigados de 28 exchanges, com atuação no Brasil e no exterior.

Entenda o caso

As investigações começaram a partir de relatório de inteligência financeira, com comunicação de movimentações bancárias suspeitas envolvendo a negociação de criptoativos. Devido à complexidade e à grandiosidade das operações financeiras analisadas, os investigados foram divididos em grupos.

O grupo dos arbitradores era responsável pela aquisição de grandes quantidades ativos virtuais no exterior, em países como Estados Unidos, Cingapura e Hong Kong, além da venda delas no Brasil. Para isso, os criminosos enviaram mais de R$ 18 bilhões para o exterior.

As investigações apontaram que parte da documentação apresentada aos bancos tem indícios de desvio de finalidade. Os dados em questão visavam ocultar a origem nacional dos valores, pois, segundo apurado, as exchanges americanas não aceitavam a compra de criptoativos com recursos provenientes do Brasil.

O grupo das exchanges era responsável pela compra dos ativos virtuais dos arbitradores e pela revenda deles para pessoas físicas e jurídicas, com fortes indícios de envolvimento em ações ilícitos anteriores.

Já o terceiro grupo era formado por empresas de fachada que adquiriam os criptoativos das Exchanges com a finalidade de lavagem de dinheiro. Segundo a PF, chama atenção o fato de entre os clientes dessas existirem pessoas mortas, beneficiários de programas assistenciais, idosos com mais de 90 anos de idade, doleiros, contrabandistas e comerciantes de bairros de comércio popular de diversas cidades do país, em especial do Brás e da 25 de Março em São Paulo (SP).

Empresas de fachada

Um único contador era responsável por mais de 1.300 empresas sediadas nesses locais de comércio popular de São Paulo. A maioria dessas empresas era de fachada. Durante o período investigado, as empresas administradas por esse contador movimentaram, aproximadamente, R$ 1 bilhão com os arbitradores e as Exchanges investigadas.

Ao longo das investigações, levantou-se que em um período de quatro anos os investigados movimentaram mais de R$ 61 bilhões através do sistema bancário formal. As investigações apontam, ainda, que a movimentação de recursos de tal grandeza só foi possível porque várias instituições financeiras que movimentaram recursos com os investigados apresentaram falhas em seus sistemas de Compliance.

Os crimes em apuração vão desde evasão de divisas, lavagem de dinheiro a associação criminosa dentre outros, cujas penas máximas somadas ultrapassam 30 anos de prisão.

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