Lula seduz Ratinho, Bolsonaro resgata fake news sobre voto secreto

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Na tentativa desesperada de levar a eleição para o segundo turno, Bolsonaro – quem diria? – fechou o último dia da sua campanha em Manaus no programa do apresentador Sikêra Júnior, da TV A Crítica, enquanto Lula era entrevistado por Ratinho no SBT.

À falta do que contar de novidade, Bolsonaro repisou a velha história da “sala secreta” onde o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contabiliza os votos. Nunca houve sala secreta, mas isso para ele não faz a menor diferença. Era Bolsonaro em estado puro:

“As Forças Armadas pretendem colocar técnico dentro da sala cofre do TSE, uma sala aqui que ninguém sabe o que acontece lá, assim como a Polícia Federal parece que vai fazer a mesma coisa. Entendo que a chance de desvio corrupção diminui. Não zera”.

Lula foge de contar novidades. Se pudesse, dormiria hoje para apenas acordar no domingo dia 2. Está tudo bem para ele, o vento sopra a seu favor, e se soprar um pouco mais a eleição poderá ser liquidada no primeiro turno. Se não for, ele vencerá no segundo.

Bem que Ratinho se esforçou para jogar Lula contra as cordas, ao contrário do que fez com Bolsonaro quando se limitou a levantar a bola para que ele chutasse – mas Lula estava em um dia especialmente feliz. Ratinho acabou entregando os pontos.

O tempo todo, ele referiu-se a Lula como “presidente”. Admitiu que no governo de Lula ganhava mais do que ganha hoje, o que serviu de deixa para que Lula lembrasse que à sua época, Ratinho também sorria mais, e os dois bebiam juntos uma “cachacinha”.

Foi nos camarins do SBT, antes da entrevista, que Lula soube dos resultados da mais recente rodada de pesquisas Datafolha. Em uma semana, ele subiu de 45% para 47% das intenções de voto, ficando Bolsonaro com os 33% que tinha.

Ainda não há sinais da migração de votos de Ciro Gomes (PDT) e de Simone Tebet (MDB) para Lula. Mas o chamado “voto útil” é um fenômeno que só acontece ou não na última hora. Amanhã, haverá outro debate entre os candidatos, mas Lula não irá.

Bolsonaro confirmou sua participação, mas já se arrependeu. Sem Lula, Bolsonaro será o saco de pancada dos demais candidatos. Ele quer, pelo menos, que lhe seja possível fazer perguntas ao candidato ausente, e se não for, talvez desista. Ou vá assim mesmo.

A campanha de Lula tem um norte desde o início, a de Bolsonaro parece uma biruta de aeroporto, equipamento que orienta a decolagem e a aterrissagem dos aviões, mudando de direção ao sabor dos ventos: ora aponta para um lado, ora para o outro.

A cabeça de Bolsonaro está na campanha de 2018. Apesar da falta de recursos, ele e sua pequena trupe sabiam o que queriam e não se desviavam do rumo traçado. Agora, não. É muita gente dando palpite, o que deixa Bolsonaro confuso. Não há comando.

Se dependesse de parte dos que o aconselham, Bolsonaro jamais teria vetado o piso salarial para enfermeiros, mas Paulo Guedes, ministro da Economia, foi contra. Ontem, em entrevista à Rede TV, Guedes defendeu sua posição. E o que fez em seguida?

Deu para trás. Abandonou a entrevista pelo meio e pediu à emissora amiga para que não a levasse ao ar. Será atendido.

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