Mulher que cobrava propina por cirurgias tem candidatura barrada no DF

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A ex-supervisora de emergência do Hospital Regional de Taguatinga (HRT) Ruby Lopes (foto em destaque), acusada de vender cirurgias na unidade de saúde pública em 2019, pediu à Justiça Eleitoral registro de candidatura para concorrer a uma vaga como deputada distrital nas eleições deste ano. O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), no entanto, indeferiu o pedido, barrando a candidatura dela.

Acusada de cobrar por cirurgias no HRT, Ruby foi homenageada pela CLDF

Quando uma candidatura consta como “indeferida com recurso” significa que não está regular e que teve o pedido de registro julgado indeferido; porém, há recurso interposto contra essa decisão e aguarda julgamento por instância superior. É o caso de Ruby.

Ruby é uma mulher trans e chegou a ser madrinha de edições da tradicional Parada do Orgulho no DF. Contudo, em 2019, ganhou holofote por outros motivos, ao ser acusada pela Polícia Civil (PCDF) e pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) de vender prioridades de atendimento cirúrgico no HRT.

Apesar de se apresentar nas redes como Ruby Lopes, no site de divulgação de candidaturas do TRE-DF seu nome completo consta como “Ruby dos Santos”. Já o nome político que quer usar caso concorra às eleições é “Ruby da Saúde”.


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Pedido indeferido

Em decisão no último dia 13, o desembargador eleitoral Renato Rodovalho Scussel pontuou que o partido de Ruby, o Solidariedade, apresentou 25 candidatos a deputado distrital, “ou seja, sem espaço para indicação de vagas remanescentes”. “No entanto, Ruby dos Santos não foi escolhida na convenção partidária para este fim, em que pese seu nome esteja inserido na petição inicial do DRAP (Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários) do partido”, destacou.

“Em que pesem os argumentos da requerente de que estaria ocorrendo substituição de candidato que renunciou (Gilmar Lopes de Abreu), este nunca chegou a ajuizar requerimento de registro de candidatura nesta Corte, não havendo, por consequência, renúncia homologada de sua parte, não sendo possível a substituição de pessoa que nem mesmo chegou a ser candidata diante da Justiça Eleitoral.”

Para o desembargador, não se trata de substituição de candidato que renunciou a candidatura, mas sim de apresentação de nova candidata que não foi escolhida em convenção partidária. “Verifica-se, pois, que a candidata não preenche as condições previstas na Lei n. 9.504/1997 e da Resolução TSE n. 23.609/2019, tendo em vista que a escolha em convenção partidária constitui requisito inafastável ao deferimento do registro de candidatura”, entendeu.

HRT: além de cirurgia, há suspeita de venda de atestado e receituário

Ruby, então, entrou com recurso. Sua defesa afirmou que a decisão omitiu análise de ata da executiva partidária, de 2 de agosto deste ano, que registrou sua indicação para o cargo em substituição a Gilmar Lopes de Abreu, ainda antes o término do prazo para o registro dos candidatos. Entretanto, já no dia 19 de setembro, a Procuradoria Regional Eleitoral se manifestou contrária ao agravo.

“A decisão agravada examinou adredemente as deliberações partidárias e concluiu que a embargante não foi escolhida na convenção partidária para este fim, em que pese seu nome esteja inserido na petição inicial do DRAP do partido. Com efeito, a ata de convenção partidária de 24/07/2022 foi expressa em deliberar a escolha de Gilmar Lopes de Abreu para o cargo de deputado distrital. O referido registro não consigna que os convencionais delegaram poderes à comissão executiva”, assinalou o procurador Zilmar Antonio Drumond.

O processo ainda segue em tramitação na Justiça Eleitoral.

Relembre a história de Ruby

Em 2019, Ruby foi acusada de vender cirurgias dentro do HRT. Áudios mostraram a profissional negociando materiais de procedimento cirúrgico por R$ 350. De acordo com os investigadores, ela teria se valido da condição de supervisora da emergência e da vulnerabilidade dos pacientes para prometer “furar” a fila de cirurgias.

No entanto, segundo as investigações, nem sempre a profissional cumpria a promessa. O inquérito aponta que ela cobrava até R$ 5 mil dos pacientes para antecipar cirurgias que poderiam demorar meses.

Ruby foi a primeira mulher trans a trabalhar na Câmara Legislativa do DF, lotada no gabinete da deputada Telma Rufino (Pros) de 20 de março de 2018 a 1º de janeiro de 2019.

Após o caso vir à tona, a enfermeira foi exonerada da Secretaria de Saúde. No ano passado, a Polícia Civil do DF concluiu o inquérito que investigava a profissional e a acusou de falsificação de documento público, corrupção passiva e peculato. O Metrópoles procurou o Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) para saber se houve denúncia e aguardava retorno do órgão até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado tão logo uma resposta seja emitida.

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