Violência, medo e abstenção, o que ainda pode favorecer Bolsonaro

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Se a nova pesquisa Datafolha de intenção de voto, a ser divulgada logo mais no início da noite, conferir a Lula 15 ou mais pontos de vantagem sobre Bolsonaro, adeus à eleição em segundo turno. É fechar a tampa do caixão e esperar a hora do enterro. A não ser…

A não ser que cresça exponencialmente no país até o dia 2 de outubro o número de casos de violência política, o que alimentará o medo de votar e poderá resultar em um índice de abstenção maior do que se imagina. Eleitores de Lula são sensíveis a isso.

O tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu, no Paraná, foi assassinado por um bolsonarista porque Lula era o tema da sua festa de aniversário. Um eleitor de Lula na área rural do Mato Grosso foi morto com 14 facadas por um bolsonarista que tentou decapitá-lo.

Na última terça-feira (20), pesquisador do Datafolha foi agredido com chutes e socos por um bolsonarista em Ariranha, no interior de São Paulo, em meio a uma escalada de hostilidade contra profissionais do instituto durante o processo eleitoral.

A impressão digital de Bolsonaro pode ser encontrada em todos os episódios. Nenhum presidente da República em período democrático estimulou mais a violência do que ele. Nos quatro anos de governo Bolsonaro, o Brasil virou um país armado.

De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o sistema de controle da Polícia Federal registra que cidadãos comuns têm hoje quase o dobro de armas que todo o efetivo das polícias Civil, Federal, Rodoviária Federal e guardas municipais.

Um outro sistema, o de controle do Exército – que supervisiona as Forças Armadas, as polícias militares, bombeiros e os CACs – registra mais de 957 mil armas na mão dos caçadores, atiradores e colecionadores, e mais da metade só de 2019 para cá.

Por prudência, ou porque de fato acredita nisso, a maioria dos analistas políticos aposta mais em uma decisão em segundo turno. A campanha de Lula trabalha com essa hipótese quando nada para que os militantes do PT descalcem o salto alto.

Mas ela também não se empenharia tanto pelo voto útil se julgasse impossível liquidar a fatura no primeiro turno. Os eleitores de Ciro Gomes (PDT) e de Simone Tebet (MDB) entraram no radar do PT como prioridade máxima, principalmente os de Ciro.

Recém-chegado de uma viagem internacional que não lhe rendeu um único voto, Bolsonaro aproveitou o dia para reunir-se com assessores e discutir os próximos passos de sua campanha. Será inevitável que visite estados populosos onde ainda vai mal.

Até aí, é o feijão com arroz a ser comido por candidato que não perdeu a esperança de vencer. Sim, mas o que poderá fazer além disso? O diabo é que quando as coisas numa campanha começam a dar errado a poucos dias da eleição, erradas irão até o fim.

O contrário igualmente é verdade. Com mais de 30 campanhas em seu currículo, algumas delas em outros países, Fernando Barros, presidente da PROPEG, agência baiana de propaganda, ensina:

“Expectativa de vitória é o mais poderoso ingrediente que define a vitória de uma campanha”.   

Segundo ele, a expectativa de vitória está do lado de Lula. Só o imprevisível ou um formidável erro de campanha poderá construir outro resultado. Imprevisível é imprevisível. Erro pode ser evitado.

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