2023 será um bom ano para viajar? Saiba como ficam o dólar e passagens

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Quem está planejando as férias de 2023 deve se preparar para pagar mais caro nas viagens nacionais e, principalmente, nas visitas ao exterior. Segundo dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo, as passagens aéreas ficaram 35% mais caras nos últimos 12 meses, e a hospedagem subiu 20% no mesmo período. Isso sem falar no dólar, que permanece elevado.

A principal razão para a disparada nos preços das viagens foi a desvalorização do real e, no caso dos bilhetes aéreos, o encarecimento dos combustíveis das aeronaves.

Projeções dos principais bancos e corretoras consideram que o dólar subirá ao longo do ano. Para o Itaú BBA, por exemplo, o câmbio deve encostar nos R$ 5,80 até o final de 2023. Atualmente, a taxa está em R$ 5,23. Já o Bradesco e a XP têm uma expectativa mais moderada, de que a moeda americana ficará perto de R$ 5,30.

Dólar

O aumento dos juros nos Estados Unidos reforça a perspectiva de dólar mais forte. Nos últimos meses, o Federal Reserve (o Banco Central dos EUA) tem aumentado a taxa básica de juros no país para conter a inflação, que bateu o maior valor em 40 anos.

Juros maiores na maior economia do mundo estimulam o fluxo de investimentos em títulos da dívida do Tesouro americano, o que, por sua vez, fortalece a posição do dólar frente às principais moedas emergentes, inclusive o real.

Por outro lado, a alta dos juros já tem desacelerado a atividade econômica nos Estados Unidos, e isso pode funcionar como um contrapeso no processo de fortalecimento da moeda local.

“Dois eventos importantes influenciaram bastante os movimentos do dólar durante o ano. No cenário doméstico tivemos incertezas políticas com uma eleição polarizada no fim do ano. No cenário externo, um aperto monetário nos EUA e no mundo afora, gerando temores de possíveis recessões”, lembrou Felipe Steiman, gerente comercial da B&T Câmbio

Passagens aéreas

Outro fator importante para o setor de viagens é a cotação do petróleo. O combustível das aeronaves, que representam cerca de metade dos custos das companhias aéreas, subiu 50% em 2022, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).

A retomada de viagens e o aumento da demanda por passagens abriu um espaço para o repasse do custo mais elevado para os preços dos bilhetes. Por outro lado, as empresas alegam que foi um repasse insuficiente para cobrir as perdas acumuladas desde o início da pandemia de Covid-19.

“Os prejuízos acumulados até 2021 são de R$ 41,8 bilhões, e o cenário segue desafiador para 2023 com a continuidade da alta do câmbio do dólar e do petróleo”, diz a Abear, em nota.

Impostos

Seja qual for o cenário, não há um alívio previsto para os custos de viagens. No apagar de luzes, o governo de Jair Bolsonaro publicou uma Medida Provisória para zerar, a partir de 2023, as alíquotas de PIS e Cofins sobre a receita das empresas aéreas. A isenção era um pleito das companhias desde 2020, mas foi aprovado somente nos últimos dias de mandato bolsonarista.

Essa foi uma das medidas de renúncia tributária aprovadas na reta final do último governo e que podem ser revisadas pela atual gestão. Vale lembrar que o atual presidente Lula já revogou outra medida que reduzia as alíquotas de Pis/Pasep e Cofins de grandes empresas.

Outra saída, defendida pelo setor, é a mudança na política de paridade de preços da Petrobras. As empresas representadas pela Abear alegam que 90% do querosene consumido no Brasil é produzido localmente, mas cotado em dólar. O setor faz coro à demanda para que o governo altere a política de preços da petroleira.

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