Americanas precisará vender entre R$ 12 bi e R$ 21 bi em ações, diz XP

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Mergulhada em uma crise desde a divulgação de “inconsistências contábeis” de cerca de R$ 20 bilhões em seu balanço financeiro, a Americanas precisará de R$ 21 bilhões em capital para atender todos os seus credores. A estimativa foi feita pela XP Investimentos.

Ainda de acordo com a XP, a Americanas terá de captar algo entre R$ 12 bilhões e R$ 21 bilhões por meio da oferta de ações. Para chegar a esse número, os analistas da corretora consideraram diferentes cenários de endividamento e margem operacional da varejista.

Uma outra possibilidade levantada pela XP é a de que a Americanas entre em recuperação judicial. Segundo a empresa de investimentos, essa “pode ser considerada a alternativa mais provável, dado o tamanho da dívida da Americanas e da potencial necessidade de capital, além do número de credores envolvidos”.

Em seu relatório, a XP pondera que um processo de recuperação judicial dura, em média, cerca de três anos, mas pode se alongar. No caso da Oi, por exemplo, o prazo foi de seis anos.

Caso ocorra a recuperação judicial, as ações da Americanas continuariam a ser negociadas, mas seriam excluídas do Ibovespa. Empresas nessa condição não podem fazer parte do índice de referência do mercado de ações no Brasil. Na sexta-feira (13), último pregão da semana passada, a ação da Americanas teve alta de 15,77%, depois de derreter quase 80% na véspera.

Entre as possíveis soluções apontadas para a Americanas, estão o desinvestimento de ativos para balancear a estrutura de capital, renegociação de dívidas, conversão de dívidas em ações e aumento de capital.

Diretores venderam ações antes de rombo se tornar público

Na sexta-feira (13/1), o Metrópoles noticiou, com exclusividade, que, meses antes de a Americanas anunciar publicamente a descoberta do rombo contábil em seu balanço financeiro, diretores da varejista fizeram um movimento relevante de venda de ações.

Segundo levantamento exclusivo feito pelo Metrópoles, com base em documentos públicos fornecidos pela empresa para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a diretoria da varejista vendeu R$ 241 milhões em ações entre julho a outubro de 2022. No mesmo período, houve uma compra de ações pelos diretores no valor de R$ 18 milhões, o que resulta em saldo de venda de R$ 223 milhões.

Os documentos da CVM não revelam os nomes dos diretores que negociaram as ações. Segundo uma fonte do meio jurídico, possivelmente são executivos que ocupavam cargos da diretoria estatutária (com poder de decisão sobre a empresa) na época das operações.

O período com o maior volume de venda de ações pelos executivos foi setembro. Um mês antes, a empresa havia anunciado que Miguel Gutierrez, que presidiu a Americanas por mais de duas décadas, seria substituído por Sergio Rial, ex-presidente do Santander e um dos mais renomados executivos do mercado brasileiro.

A mudança no controle era vista como um fio de esperança para a varejista, que vinha de um longo período de resultados financeiros ruins e de aperto de margens. No trimestre anterior ao anúncio da nomeação de Rial, a Americanas amargou um prejuízo de quase R$ 100 milhões, causado, principalmente, por perdas na operação digital.

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