Assembleia com sindicatos destitui Josué Gomes da presidência da Fiesp

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Depois de meses enfrentando uma grave crise interna e a ferrenha oposição de pequenos sindicatos patronais do setor industrial, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva, perdeu a queda de braço e será destituído do comando da entidade.

Após a assembleia extraordinária realizada nesta segunda-feira (16/1), que reuniu sindicatos opositores e também grupos que apoiam o atual presidente, Josué não conseguiu aval para continuar no comando da Fiesp.

Foram 47 votos pelo afastamento de Josué, duas abstenções e apenas um voto favorável à permanência do dirigente no cargo.

Antes do placar final, os sindicatos votaram, por 62 a 24, pela reprovação dos argumentos de Josué aos questionamentos sobre sua atuação na presidência da Fiesp.

A assembleia teve quatro horas e meia de duração. Josué Gomes deixou a Fiesp sem dar declarações.

O auge da crise foi vivenciado no fim do ano passado, quando Josué negou um pedido dos sindicatos para que a assembleia fosse marcada para o dia 21 de dezembro.

Também em dezembro, o presidente da Fiesp esteve em Brasília e foi convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva – que, na época, nem havia tomado posse – para ser o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Josué recusou, alegando, entre outros motivos, que precisava pacificar a Fiesp e debelar a crise interna.

Apesar de contar com o apoio de entidades de grande porte do setor industrial, que eram contrárias à destituição, Josué não resistiu à forte pressão de pequenos sindicatos patronais.

Entenda a crise

A realização da assembleia se tornou uma batalha interna na Fiesp. A ideia inicial dos representantes de 86 dos 106 sindicatos com poder de voto na federação era a de convocar uma assembleia para o dia 12 de dezembro, mas não houve tempo hábil para viabilizar o encontro.

A crise política na Fiesp teve início em outubro do ano passado, quando membros de sindicatos (eram 78, na época) apresentaram um pedido de convocação de assembleia para tentar destituir Josué do cargo. Em reunião da diretoria no início de novembro, o presidente da Fiesp rechaçou a ofensiva, alegando que não havia elementos que justificassem a reunião.

O documento apresentado pelos sindicatos pedindo a assembleia enumerava 12 itens com justificativas para a convocação da assembleia. Entre os motivos apresentados, estavam contestações sobre nomeações de assessores de Josué, além de críticas pela divulgação da carta “em defesa da democracia” durante a campanha eleitoral.

As declarações de Josué durante a campanha eleitoral de 2022, simpáticas à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, desagradaram a Paulo Skaf, ex-presidente da entidade (de 2004 a 2021) e apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A decisão da Fiesp de divulgar uma carta “em defesa da democracia”, em agosto, foi considerada um erro por atrelar a instituição à candidatura do petista. O documento teve apoio de apenas 14% dos sindicatos industriais.

O xadrez político da Fiesp

Há outros dois nomes importantes no jogo político da Fiesp: Synésio Batista, presidente do Sindicato das Indústrias de Brinquedos do Estado de São Paulo (Sindibrinquedos), e José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

Os dois últimos são adversários de Skaf e, apesar de não terem apoiado a eleição de Josué, trabalharam pela permanência do empresário à frente da entidade – justamente para que Skaf não se fortalecesse internamente.

Josué era o “plano A” para ministério

A proximidade com Lula fez com que Josué Gomes da Silva se tornasse o nome da preferência do presidente da República para assumir o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Em meados de dezembro, o presidente da Fiesp foi a Brasília e recebeu o convite formal de Lula para comandar a pasta. Em um primeiro momento, Josué não deu uma resposta ao petista e pediu um tempo para pensar. Dois dias depois, o empresário recusou o convite e decidiu viajar com a família para o exterior, onde passou a virada de ano.

Até receber o convite formal do presidente, Josué dizia a interlocutores e familiares que não pretendia assumir um cargo no governo federal e desejava permanecer à frente da Fiesp. Depois da conversa com Lula em Brasília, o empresário cogitou aceitar o desafio, mas acabou optando, ao fim e ao cabo, por permanecer na Fiesp.

A eventual ida de Josué Gomes para o ministério de Lula era considerada uma espécie de “saída honrosa” do comando da Fiesp, em meio a uma grave crise política na federação.

Quem é Josué Gomes da Silva

Empresário da Coteminas, Josué é filho de José Alencar (1931-2011), vice-presidente da República entre 2003 e 2010, nos dois governos de Lula.

Ele foi eleito presidente da Fiesp em julho do ano passado e assumiu o cargo em janeiro de 2022.

A candidatura de Josué ao comando da Fiesp teve o apoio de Skaf. Seu mandato à frente da entidade terminaria em 31 de dezembro de 2025.

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