Atenção, investidor: renda fixa muda e mostrará o retorno atualizado

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Quem tem dinheiro aplicado em investimentos de renda fixa, como debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), verá a rentabilidade da carteira mudar. A partir de hoje (02/01), esses títulos terão o retorno atualizado periodicamente, em um processo chamado de marcação a mercado.

A marcação a mercado é o cálculo do preço daquele investimento de acordo com as condições do mercado. O preço de um ativo pode ser influenciado, por exemplo, pela mudança na taxa básica de juros, a Selic, ou pela variação da inflação.

Até então, o impacto das condições de mercado não eram conhecidas pelos investidores, pois a carteira de aplicações não exibia as variações de preços. As corretoras e bancos exibiam apenas o preço do título na curva – ou seja, havia um cálculo que considerava o valor investido mais a projeção de rendimento até o vencimento.

Na prática, o investidor só descobria quanto recebeu de lucro na aplicação quando o título atingia o vencimento, ou em um eventual pedido de resgate antes do prazo.

A partir de hoje, o acompanhamento e atualização de preços acontecerá, no mínimo, a cada mês. A vantagem, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), responsável por propor a nova regra, é dar transparência para o investidor.

“A iniciativa faz parte da nossa agenda de transparência, que tem como prioridade o foco no investidor. Ela contribui para o amadurecimento dos clientes e tem potencial para estimular as negociações de renda fixa”, afirma Luciane Effting, vice-presidente do Fórum de Distribuição da Anbima.

Renda fixa em queda

Embora a medida tenha como objetivo informar o investidor, em um primeiro momento as mudanças podem causar certa confusão. Isso porque boa parte dos títulos de renda fixa emitidos nos últimos três anos estão no negativo, considerando a marcação a mercado.

A taxa Selic partiu de 2% em março de 2021 para os atuais 13,75% ao ano. Grosso modo, as aplicações emitidas quando os juros estavam mais baixos tendem a ter um preço menor no mercado, uma vez que, como as taxas atuais são maiores, os títulos mais novos ficaram mais atrativos.

Por isso, muitos investidores terão uma surpresa negativa com a mudança da regra. Vale lembrar, no entanto, que a desvalorização é “virtual”, e só será concretizada se o título for vendido nas condições atuais. Se o investidor carregar a aplicação até o vencimento, o rendimento será o que foi acordado no momento em que o dinheiro foi aplicado.

Por outro lado, a marcação a mercado pode ser uma ferramenta para captar boas janelas de saída. Com o acompanhamento mensal dos preços, o investidor poderá visualizar momentos em que a cotação da sua aplicação de renda fixa está em alta, e pode aproveitar essa janela para resgatar o dinheiro e realizar o lucro.

Trata-se de uma dinâmica parecida com a do mercado de renda variável, em que os preços das ações variam diariamente e retratam as condições atuais para aquele investimento.

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