Câncer de colo de útero: 65% dos casos não seguem Lei dos 60 dias

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Aproximadamente seis em cada dez mulheres (65,8%) com câncer de colo de útero precisam esperar mais do que 60 dias para conseguir começar o tratamento no Brasil, segundo mostram dados de um estudo inédito da Fundação do Câncer divulgado no fim de dezembro.

O prazo é superior ao que prevê a lei 12.732/12, a Lei dos 60 dias, que determina o direito dos pacientes com câncer de iniciar o tratamento na rede pública em até 60 dias após o diagnóstico da doença.

Os dados foram divulgados na primeira edição do boletim info.oncollect, lançado em dezembro de 2022 pela instituição. As informações foram levantadas a partir das bases de dados de mais de 300 hospitais para o Integrador de Registros Hospitalares de Câncer (iRHC) e coletadas entre 2005 e 2019.

Eles revelam que, em todo o país, o tempo de espera para tratamento das mulheres que chegaram ao hospital já com o diagnóstico em mãos é maior em comparação com as que chegaram sem o diagnóstico.

Na região Norte, apenas duas em cada dez mulheres (27,5%) realizaram o tratamento dentro de dois meses. No Sudeste, o percentual de pacientes tratadas no prazo é de 30,4%. Eles aparecem seguidos pelo Nordeste (38,4%), Sul (38,8%) e Centro-Oeste (42,5%).

O levantamento também mostra que mais da metade dos casos de neoplasia do colo do útero são diagnosticados em fase avançada, o que indica falhas na detecção precoce da doença.

“Este fato implica em pior prognóstico, maior mortalidade e menor sobrevida das mulheres”, sugere a Fundação do Câncer. “O controle do câncer do colo do útero representa um enorme desafio. Somente para este ano são estimados, pelo Ministério da Saúde, mais de 16 mil novos casos da doença”, afirma o relatório.


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O câncer do colo de útero é causado principalmente pela infecção do vírus do papiloma humano (HPV), transmitido em relações sexuais sem proteção. O vírus é responsável por 95% dos casos de câncer de colo do útero no Brasil, de acordo com a Fundação do Câncer.

A cada 100 mil mulheres, 4,6 vão a óbito pela doença no Brasil. Os principais fatores de risco são o início precoce da atividade sexual e a variedade de parceiros. A doença também pode estar relacionada ao tabagismo e o uso prolongado de pílulas anticoncepcionais.

Prevenção

A camisinha protege parcialmente a infecção pelo HPV, que também pode ocorrer através do contato com a pele da vulva, regiões perineal e bolsa escrotal.

A vacina previne contra quatro tipos do vírus (6, 11, 16 e 18) e deve ser aplicada em duas doses. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a vacina contra HPV para meninas e meninos com idades entre de 9 a 14 anos. O imunizante é oferecido para outras faixas etárias em clínicas particulares.

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