Furto de cabos deixa 44 famílias sem luz em prédio na Cracolândia

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São Paulo – Moradores de um prédio estão há mais de 30 horas sem eletricidade, após cabos subterrâneos serem furtados, no centro da capital paulista. Até a publicação desta reportagem, nenhum técnico da Enel, responsável pelo serviço de distribuição, havia ido até o local.

A concessionária foi notificada sobre o problema pelo Metrópoles e se comprometeu em dar um retorno ainda na tarde deste sábado (7/1).

Uma moradora do condomínio afirmou que a distribuição de eletricidade foi interrompida por volta das 5h dessa sexta-feira (6/1). Desde então, foram protocolados ao menos seis pedidos de religamento. Ela acrescentou que o problema resulta do furto de cabos subterrâneos e, por isso, pediu para não ter o nome publicado, por temer retaliações.

“Estou sem dormir desde ontem [sexta]. Ficamos na portaria do prédio, para receber moradores que saem ou voltam do trabalho na madrugada”, explicou a mulher ao Metrópoles, no início da tarde deste sábado (7/1). A rua onde fica o prédio é uma das vias para as quais migraram dependentes químicos da Cracolândia, desde que o fluxo foi dispersado pela polícia da Praça Princesa Isabel, em maio do ano passado.

Desde a queda da energia, nessa sexta, os elevadores deixaram de funcionar no edifício de sete andares, nos quais vivem 44 famílias, em sua maioria de estrangeiros. Dois idosos, moradores do sexto e sétimo andares, estão impossibilitados de saírem de seus apartamentos, pois contam com problemas de saúde, não podendo com isso usar as escadas.

Outra moradora decidiu retornar ao prédio, até o retorno da eletricidade. Ela, que está hospedada em outro endereço, afirmou à administração do condomínio que irá colocar seu apartamento à venda e que pretende sair do local, por causa da insegurança e de transtornos como o furto de fios. Até o momento, 12 famílias já deixaram o prédio, segundo apurado pelo Metrópoles.

Essa é a segunda vez que o furto de cabos provoca a queda na distribuição de eletricidade em alguns imóveis da região da Santa Efigênia.

Por volta das 14h de 1º de dezembro houve falha na transmissão, que só foi restabelecida três dias depois, depois que moradores da região impediram a saída de técnicos da Enel do local.

Os profissionais da concessionária teriam alegado insegurança para trabalhar, por causa da concentração de um fluxo da Cracolândia. Por isso, moradores da Santa Efigênia se mobilizaram, para garantir a segurança dos técnicos, até que o problema fosse solucionado.

Na ocasião, a Enel afirmou que havia registrado 219 furtos de cabos na capital paulista, dos quais 42% ocorreram na região da Cracolândia.

Insegurança

O edifício prejudicado pela queda de energia, decorrente do furto de cabos, fica próximo à Rua Vitória. A via, como já foi mostrado pela reportagem, é um dos pontos usados para a realização de feiras clandestinas, nas quais são vendidas drogas e objetos sem origem comprovada.

Moradores e frequentadores da região testemunham o aumento da sensação de insegurança, desde que os dependentes químicos começaram a transitar pelo centro. Ações que deveriam ser simples, como ser atendido em uma loja, acabam sendo comprometidas por causa disso. Antes da fragmentação, em pequenas cracolândias – principalmente nas regiões da Santa Efigênia e Campos Elíseos, bairros do centro paulistano – o antigo fluxo chegou a concentrar mais de dois mil dependentes químicos no mesmo quadrilátero.

Roubos aumentaram em 63% na região, comparando os 3.706 casos registrados entre janeiro e novembro, de 2021, com os 6.578 do mesmo período de 2022. Os dados referentes ao ano passado, os mais recentes disponibilizados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo, já superam em 23% os 4.587 de 2019, período pré-pandemia da Covid-19.

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