Irã executa mais dois presos por envolvimento em protestos

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A União Europeia (UE) e os Estados Unidos condenaram neste sábado (7/1) a execução de dois homens no Irã devido à participação nos protestos que tomaram conta do país do Oriente Médio após a morte da jovem Jina Mahsa Amini, de 22 anos.

Mohammad Mehdi Karami e Seyyed Mohammad Hosseini, presos e condenados à morte, foram enforcados na manhã deste sábado. Eles foram considerados culpados pela morte de um agente de segurança, em novembro, durante os protestos que começaram em meados de setembro. Com as duas execuções, sobe para quatro o número de manifestantes envolvidos nos protestos enforcados no Irã.

ONGs de direitos humanos afirmam que os julgamentos são conduzidos de forma rápida e a portas fechadas, com advogados designados pelo governo representando os réus. Além disso, segundo os ativistas de direitos humanos, geralmente as evidências apresentadas são obscuras e as confissões atingidas sob tortura.

“[A UE] denuncia um novo sinal de repressão violenta das manifestações e apela uma vez mais às autoridades iranianas para que ponham imediatamente fim à prática altamente condenável de pronunciar e executar sentenças de morte contra os manifestantes”, disse Nabila Massrali, porta-voz do chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.

A UE também exigiu o “cancelamento imediato” das restantes sentenças de morte já proferidas no âmbito das manifestações, acrescentou a porta-voz.

Os EUA condenaram “veementemente” o julgamento e os enforcamentos. “Estas execuções são um elemento fundamental da estratégia do regime para suprimir os protestos” que estão em curso no país há meses, destacou o porta-voz do Departamento de Estado americano, Ned Price, no Twitter.

Advogado disse que não teve acesso ao caso

Karami e Hosseini foram executados pelo homicídio de um membro da força paramilitar Basij, ligada ao poderoso Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica.

Segundo um porto-voz do Judiciário iraniano, o agente morreu em Karaj, a oeste de Teerã (capital do Irã), em 3 de novembro, depois de ser atacado com “facas, pedras, punhos, chutes” e arrastado por uma rua. Karami e Hosseini foram condenados à morte no início de dezembro, e a Suprema Corte iraniana confirmou a decisão na terça-feira.

De acordo com grupos de direitos humanos, Karami tinha 22 anos e Hossein, 39. Os pais de Karami publicaram um vídeo, em dezembro, pedindo às autoridades que poupassem a vida do jovem.

Mashallah Karami descreveu o filho como um ex-membro da equipe nacional de caratê e disse à mídia iraniana que um advogado da família não conseguiu acessar o arquivo do caso. Além disso, o  jovem não foi autorizado a ter um encontro final com a família, disse seu representante, Mohamad Aghasi, no Twitter.

ONU condena enforcamentos

O escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) condenou as execuções, alegando que elas ocorreram após “julgamentos injustos baseados em confissões forçadas”.

Em mais de três meses de protestos fortemente reprimidos pelas autoridades iranianas, mais de 500 pessoas foram mortas e pelo menos 15 mil detidas, segundo a ONG Iran Human Rights (IHR).

Desde o início dos protestos, 14 pessoas foram condenadas à morte. Destas, quatro foram executados, dois tiveram as suas sentenças confirmadas pela Corte iraniana, seis aguardam novo julgamento e outros dois podem recorrer.

Além disso, dezenas de outros manifestantes enfrentam acusações puníveis com a morte, disse o IHR no final de dezembro. Os ativistas pediram uma ação internacional mais forte após as últimas execuções.

O Centro de Direitos Humanos no Irã, com sede em Nova York, pediu aos países que retirem seus embaixadores de Teerã.

Em dezembro, ocorreram as duas primeiras execuções, provocando indignação global e novas sanções ocidentais contra o Irã. Mohsen Shekari e Majidreza Rahnavard, ambos de 23 anos, foram considerados culpados de ataques às forças de segurança.

Novo chefe de polícia

Quase quatro meses após a agitação desencadeada pela morte de Amini, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei ,nomeou neste sábado um novo chefe de polícia. O general Ahmad-Reza Radan substituirá Hossein Ashtari, informa um comunicado publicado no site oficial do líder. Khamenei ordenou que o departamento de polícia “melhorasse suas capacidades”.

O analista iraniano Mehrzad Boroujerdi disse à agência de notícias AFP antes do anúncio que havia “rumores de que Khamenei criticou severamente” o desempenho de Ashtari. Ele disse esperar que pessoas como Ashtari sejam substituídas por “ainda mais radicais para manter um controle rígido” sobre as forças de segurança.

A atual onda de protestos no Irã teve início após a morte da jovem de origem curda Jina Mahsa Amini, de 22 anos, sob custódia, depois que foi presa pela chamada polícia da moralidade do país. Embora os protestos tenham sido provocados inicialmente pelas regras estritas sobre como as mulheres se vestem, as queixas da população predominantemente jovem contra a classe dominante são muitas.

Confrontos foram registrados na maioria das cidades, bem como nas regiões mais carentes e etnicamente marginalizadas do país, como o Curdistão e o Baluquistão.

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