Em áudio, jovem chora e implora para Robson Cândido deixá-la “em paz”

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Uma das provas apresentadas pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) na denúncia contra o ex-delegado-geral da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) Robson Cândido por stalking é uma ligação telefônica entre o policial e a vítima.

No dia 25 de junho de 2023, a jovem de 25 anos com quem Robson teve um relacionamento chora, diz que está ficando depressiva diante da perseguição do delegado e implora para ele deixá-la “em paz”.

“Eu não tô bem. Só queria ficar em paz. Eu tô aqui com o rosto todo inchado. Eu tô voltando a comer agora… Me dá sossego”, disse a mulher.

Robson, então, pergunta se ela quer que ele leve café da manhã, e a jovem responde: “Não quero nada! Não quero. Sai de perto de mim”. Ouça trecho da conversa:

 

Tentando se distanciar de Cândido, a jovem o bloqueou, mas o delegado continuava tentando contato com ela por meio de números de outras pessoas, entre colegas de trabalho da jovem e por telefones da própria PCDF.

Em uma das ocasiões, Robson teria mandado mensagem para a jovem pelo WhatsApp do atual delegado-geral da PCDF, José Werick, que atuava à época como chefe de gabinete.

No diálogo gravado no dia 25 de junho, Robson ligou para a jovem por meio de um número desconhecido. Segundo a denúncia do MPDFT, que transcreve a conversa, a mulher diz que não quer mais contato com o delegado.

“Eu não sei mais o que eu faço para me livrar de você… Eu juro que estou a ponto de chamar a polícia se você chegar perto de mim… Isso eu te juro… Eu não aguento mais, não aguento… Você está me deixando depressiva, você só me deixa chorando, você me deixa angustiada, você me deixa com ansiedade, todo esse mal você está fazendo”, afirmou.

De acordo com os promotores de Justiça, “Robson claramente ofende a integridade psicológica e invade a esfera de liberdade” da jovem.

“No curso da chamada, a vítima pede para ter sossego reiteradas vezes e verbaliza que estava ficando depressiva, angustiada e com ansiedade. Ao longo da ligação, é possível perceber que ela chora copiosamente, revelando seu esgotamento emocional.”

Em 30 de setembro, o ex-chefe da PCDF teria feito 50 ligações telefônicas de número oculto para a jovem. “Na oportunidade, mais uma vez, Robson importunou a tranquilidade dela e perturbou sua esfera de liberdade”, apontou o MPDFT.

Robson Cândido foi denunciado pelos crimes de stalking (perseguição), dano emocional à mulher, descumprimento de medidas protetivas, corrupção passiva, interceptações telefônicas ilegais e violação de sigilo funcional.

Segundo a denúncia, enquanto chefe da PCDF, Robson utilizou sistema de acesso restrito do Departamento de Trânsito (Detran) e do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF) para saber por onde o carro da jovem passava. Ele está preso preventivamente desde o dia 4 de novembro.

Vídeos

Inconformado com o término do relacionamento, o então delegado-geral da PCDF passou a perseguir a jovem em casa, no trabalho e no trânsito.

Em agosto, enquanto dirigia para casa, a jovem filmou e narrou que o carro atrás do dela era uma viatura da PCDF, conduzida por Robson. Angustiada, ela diz: “Mais uma vez o Robson me perseguindo, em outra viatura. Meu Deus, que inferno!”.

Em seguida, a mulher afirma que iria parar no posto da polícia. Veja o vídeo:

Em uma outra imagem, gravada no dia anterior, Robson perseguiu a jovem no trânsito, em Águas Claras. Ele aparece em uma caminhonete branca. Assista:

Em 9 de agosto, Robson teria ido até a casa da jovem e entrado, sem a permissão dela. Um vídeo mostra a mulher conversando com ele por meio da porta do quarto. Ela questiona: “O que você tá fazendo aqui? São 8 horas da manhã”.

Em seguida, a jovem pede para ele ir embora: “Não precisa me deixar em lugar nenhum. Tem como você ir embora?”. Veja:

No dia 29 de setembro, a jovem procurou a 27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas). Na ocasião, ela queria denunciar o ex, mas foi surpreendida com a presença dele no local.

Àquela altura, segundo a investigação do MPDFT, Robson já tinha informações em tempo real de onde ela estava.

“Compareci aqui hoje, na 27ª DP, para registrar uma ocorrência contra o Robson, a respeito das perseguições que ele está fazendo comigo. Misteriosamente, ele apareceu dentro da sala do delegado, sabendo que eu estava aqui, me perseguindo, coagindo, me intimidando. Chegou mesmo a gritar comigo, dentro da delegacia de polícia”, disse a jovem no vídeo, que também faz parte da apuração contra o ex-delegado-geral da PCDF. Veja: